segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Música para beber e transar



Fernando e Sorocaba em um clipe que mostra bebidas e mulheres.
 
Segundo o portal G1, a indiferença da Universidade em relação ao fenômeno musical mais apreciado pelos universitários brasileiros está começando a mudar. O sertanejo universitário foi objeto de estudo em trabalhos acadêmicos nas áreas de Letras, Psiquiatria e Artes. Os estudos revelam hábitos ligados às letras das canções. Dois desses estudos analisam a relação entre as letras das canções do sertanejo universitário com o aumento do consumo de álcool entre os jovens no Brasil. Ainda há espaço para analisar a influência de suas letras também em questões de comportamento como o sexo e as relações de gênero.

Entre os estudos mais reveladores destacam-se o do mestrado de Mariana Lioto, 25 anos, em Letras na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e o de especialização em Dependência Química de Francismari Barbin, 37 anos, na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

As pesquisadoras analisaram versos, como "Tudo que eu quero ouvir: eu te amo e open bar", de Michel Teló, e "É meu defeito, eu bebo mesmo", de Fernando e Sorocaba, listando 243 letras de sertanejos que citam bebidas.

O tema da bebedeira é recorrente na história da música sertaneja. Já começou com Leandro e Leonardo, que convidavam: “Hoje é sexta-feira. Chega de canseira, nada de tristeza, pega uma cerveja e põe na minha mesa”. Depois a onda pegou. Os veteranos João Carreiro & Capataz têm 19 letras sobre bebedeira e os novos astros João Neto & Frederico já têm 17. De 48 artistas famosos do gênero sertanejo estudados por Mariana, apenas sete não possuíam nenhuma música abordando a temática, e 85% das duplas abordam o assunto em pelo menos uma canção.

Mariana Lioto escreveu a dissertação "Felicidade engarrafada: Bebidas alcoóllicas nas músicas sertanejas". Para encontrar exemplos de letras de sertanejos sobre "bebedeira" ela não teve dificuldade. "Acredito que existe um embate de discursos. De um lado temos a esfera médica e religiosa dizendo que beber causa dependência, gera doenças, etc. É um discurso chato, difícil de conquistar adesão. De outro lado temos a música falando que beber te dá amigos, mulheres, sexo, acaba com todos os problemas", disse ela ao portal G1.

A tese do trabalho de Mariana é de que a música sertaneja não só reflete um comportamento já existente, mas ajuda a naturalizar e incentiva o hábito de beber, fazendo associações positivas com mulheres, festas, fuga do trabalho, e escondendo os efeitos negativos. "Interessante perceber que em outros gêneros – no rap, por exemplo – é fácil encontrar músicas que criticam o consumo abusivo", nota Mariana.

Francismari Barbi, psicóloga clínica, autora do trabalho "A influência das letras de música sertaneja no consumo de álcool", afirma que os estudos comprovam a influencia relacional entre musica e consumo de alguma substancia psicoativa, ou mesmo a letras das musicas como forte influencia comportamental entre os jovens. "Parece que a tarefa de mostrar o lado negativo da substância ficou basicamente a cargo dos técnicos de saúde", lamenta Francismari.

Além do apelo fácil ao álcool como solução para todos os males, do trabalho ao relacionamento com as mulheres, outro tema recorrente nas músicas do gênero sertanejo universitário é o sexo fácil e descompromissado. Todo o empenhado trabalho de grupos voltados ao combate à proliferação do HIV, por exemplo, é derrubado por letras de apelo vulgar ao sexo fácil, que também desconstrói o discurso da igualdade de gênero, devolvendo a mulher ao milenar papel de objeto de cama e mesa.

Um comentário:

  1. Olá Clóvis, meus cumprimentos.

    Sou membro da IELB e vez e outra acompanho seu blog.
    Partido das análises do que posta no seu blog, não vou tecer nenhum comentário sobre as críticas, ou ataques, que faz em relação a IELB pelo simples motivo de que percebo que a IECLB, está um pouco perdida.
    Começando pela prática de permitir a Santa Ceia a crianças, mesmo elas não tendo a mínima idéia do que isso significa. E justamente pra isso, existe o ensino confirmatório, para dar ciência sobre este sacramento. Dentre outros atos contraditórios que acontecem na IECLB.
    Mas o que mais me chamou atenção foi o fato de você criticar as atuais músicas (não quer dizer que eu concorde com elas), que fazem apelo ao sexo e ao alcool mas, em um artigo em maio de 2011, tece comentários com tons de apoio às práticas homossexuais, inclusive na igreja. Talvez para tentar minimizar a polêmica em relação à ELCA, igreja americana ligada a IELCB.
    Na referida postagem você cita que não existe pecadinho e pecadão (e certamente não existe) Nesse caso, as músicas são apenas mais um pecado, da condição pecadora do ser humano, então não é possível ver problemas maiores que esse tipo de música possa causar.
    Acredito que pode-se explicar historicamente, as confusões que, por vezes, acontecem na IECLB. Sendo esta fundada em 1950 pela união do Sinodo Riograndense a outros três sinodo. Tal processo conferiu ao grupo um caráter deveras plural, uma vez que existiam entre eles luteranos e calvinistas.
    Portanto, baseando-se na história e nas mudanças ocorridas dentro de determinadas igrejas, o senhor mesmo pode tirar suas próprias conclusões.

    Um forte abraço.

    Giliardi Dorn
    Administrador e Teólogo
    giliardidorn@hotmail.com

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