A execução de Jesus


Como uma crítica à onipresente imagem de Mao Tsé-tung (1893-1976) por toda a China, os Irmãos Gao resolveram tematizar este culto em sua arte. Os Irmãos Gao estão entre os mais célebres artistas plásticos chineses. Em sua arte, o culto à personalidade do líder comunista ganha tons iconoclastas e sombrios. Obviamente, a dupla não consegue exibir grande parte de seus trabalhos na China.
A Execução de Jesus é a mais recente obra dos Irmãos Gao. Na obra, seis figuras de Mao Tsé-tung empunham baionetas contra um Jesus indefeso, enquanto uma sétima, também com o rosto de Mao, segura a arma ao fundo. A obra só pode ser vista no estúdio dos artistas, no Distrito 789, uma espécie de território livre da arte contemporânea chinesa. Os artistas estão negociando sua apresentação em 2010 no Kemper Museum of Contemporary Art, em Kansas-EUA.
Gao Zhen (53) estudou Pintura Chinesa Clássica na universidade, enquanto seu irmão Gao Qiang (47) optou por Literatura. Na metade dos anos 80, os dois começaram a realizar trabalhos conjuntos e deram início a uma parceria que se aprofundou a ponto de ambos serem conhecidos como os Irmãos Gao e não por seus nomes individuais. Os dois se vestem de maneira parecida, usando o mesmo tipo de boné e andam sempre juntos nas ruas do Distrito 798.
Eles se tornaram famosos em 1989, ao participarem da China Avant-Garde. Na mesma época, os Irmãos Gao deram início ao ativismo político que viria caracterizar sua obra, ao assinar uma petição que pedia a libertação do dissidente Wei Jingsheng, que estava preso havia dez anos por participar do movimento Muro da Democracia, em 1978.
Os Irmãos Gao entraram na lista negra do governo chinês e se transformaram eles próprios em dissidentes. Seus passaportes foram confiscados e por 14 anos os artistas foram proibidos de sair da China.
Eles não puderam participar da Bienal de Veneza em 2001, onde apresentariam a performance Utopia do Abraço de 20 Minutos, realizada pela primeira vez na China no ano anterior. Nela, voluntários são estimulados a abraçar um estranho por 15 minutos e a participar de um abraço coletivo por cinco minutos. O evento se tornou uma marca registrada dos Irmãos Gao, que já o promoveram em Hong Kong, Berlim, Nottingham e Tóquio.

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