Olho por olho


A resposta dos EUA ao ataque que derrubou as torres gêmeas de Nova York, em 11 de setembro de 2001, veio. E na forma que já se poderia adivinhar: com mais armamento. Um monumento no lugar dos prédios derrubados já não tem mais necessidade de ser. Ele já existe.

A marinha americana apresentou, na semana passada, seu mais novo navio militar, o USS New York. A sua poderosa carcaça é feita de aço. Uma pequena parte, porém, contém um tipo de aço muito simbólico: sete toneladas do aço que sobrou das torres gêmeas derrubadas no dia em que o orgulho americano foi ao chão.

Ele foi apresentado publicamente em Nova York. Em terra, policiais, militares e muitos parentes das vítimas do atentado, admiraram o mais novo símbolo nacional de superação de uma tragédia, com direito a salva de canhões em homenagem às quase três mil vítimas mortas nas torres gêmeas.

É uma homenagem, sim. Mas é também uma resposta à altura e no grau exato de belicosidade americana. Não há espaço para a paz quando a homenagem vem envolta num tão magnífico e poderoso instrumento de guerra.

A resposta fica ainda mais significativa pelo fato de os EUA nunca terem sido atingidos em seu território em todas as guerras nas quais se meteram. A resposta a Pearl Harbor foram duas bombas atômicas que emudeceram os japoneses e estarrecem o mundo até hoje. A resposta ao ousado ataque de 11 de setembro começa a tomar forma nesse navio com o aço da vingança em seu casco.

Comentários

  1. Doente é quem acredita na guerra como solução. Não dá para pregar o desarmamento mundial enquanto se constrói mais instrumentos de guerra, como o USS New York. É preciso que a exigência do desarmamento alheio seja correspondida com gestos concretos na mesma direção. E não é isso que vejo acontecer.

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