O manezinho do bem


Uma das coisas que mais se repetem no Brasil, nos últimos tempos, são histórias de atletas que mergulham a sua vida de sucesso num completo abismo. Não vou citar nomes, muito menos histórias. Elas estão aí às pencas, em todas as modalidades esportivas. Mas se revelam prodigiosas e particularmente cruéis no nosso futebol, que já foi o primeiro no ranking da FIFA e hoje amarga uma posição próxima do vigésimo lugar. Nossos mais brilhantes jogadores veem seu valor despencar pela metade do dia para a noite por conta de comportamentos lamentáveis, excessos de toda ordem, vida desregrada e um comportamento tão incerto quanto o de uma bola no pé de um perna-de-pau.

Mas sempre tem as exceções, os exemplos, os nomes que merecem ser lembrados em meio a tantas histórias cabreiras. Ontem foi a vez de lembrar de um atleta que eu aprendi a admirar, não somente por sua trajetória única no esporte que pratica. Aprendi a admirá-lo pela espetacular pessoa que é, um cara muito gente fina, que merece tudo o que conquistou e muito mais.

Estou falando do grande catarinense Gustavo Kürten, que ontem foi guindado ao posto de Imortal do Tênis, no Hall da Fama do Tênis em Newport (EUA). A partir desta homenagem, o ex-número um do tênis mundial terá o seu nome registrado para sempre no museu do tênis, dedicado a preservar a história desse esporte que Guga tanto honrou.

Guga fez muito mais pelo tênis do que simplesmente jogar bem. Além de alcançar uma posição antes inimaginável para um brasileiro nesse esporte, Guga popularizou esse esporte e transformou o topete antes tão comum nas quadras de tênis em coisa do passado. Guga "manezou" o tênis internacional. A sua figura simples e irreverente marcou tanto que hoje ele é amplamente imitado em quadra, de Roland Garros a Wimbledown. Todos querem se pintar um pouco de Guga, mandando o empolado branco impecável às favas para assumir uma postura descontraída e solta em quadra. Nosso manezinho dobrou os chiques do mundo, tornando-os mais gente... Valeu, Guga!

Guga é o supra-sumo do boa-praça. Enquanto nossos milionários jogadores de futebol se empetecam com brincos de brilhantes, cabelos ridículos, carros italianos e alemães indirigíveis, festas caras e patéticas, roupas de grife e ar de galo de briga perfumado com perfume francês, Guga continua sendo original. Ele é manezinho e ponto. E dos bons, porque ele nunca, veja bem, nunca(!) abriu mão do sotaque, da simplicidade tímida e emocionada, do jeito muito seu de ser, mesmo diante de personagens da coroa britânica.

Parabéns, Guga! Você é o cara!

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