As mulheres querem dirigir


Novamente é preciso falar de dois pesos e duas medidas. As mulheres da Arábia Saudita estão sofrendo restrições em seus direitos civis e o mundo se cala. Se fosse no Irã ou no Afeganistão, o mundo iria tremer. Mas a Arábia Saudita, aparentemente, está livre das farpas de boa parte do Ocidente, que depende do seu petróleo para tocar suas economias.

Vamos aos fatos. Além de estarem proibidas de viajar ou de sair do seu país sem a companhia do marido ou de outro homem da família, agora elas podem sofrer sanções e até prisão se forem apanhadas dirigindo seus carros. Hoje era dia de protesto das mulheres e muitas delas desafiaram essa lei absurda e saíram às ruas com seus automóveis.

O protesto deveria ser bem maior e envolver muito mais mulheres dirigindo. Entretanto, a organizadora dos protestos, Manal Sherif, de 21 anos, foi presa em março por conta de seu ativismo. Foi solta depois de pagar fiança, mas não antes de prometer que não iria organizar os protestos do dia de hoje, que foi marcada por uma campanha com o título: “Vou dirigir meu carro”. Mas ele aconteceu, e as mulheres que ousaram dirigir – algumas acompanhadas de seus maridos – não foram molestadas pela polícia. Mas, com certeza, quando a imprensa tirar o olho de lá elas vão receber o que, na opinião dos radicais islâmicos, elas merecem.

Mas, pensando bem, que diferença há entre o bulliyng legal da Arábia (não no sentido de bacana, mas de previsto em lei!) e o bulliyng social praticado aqui no Brasil por conta da crença de que a mulher dirige pior que o homem? As estatísticas dizem justamente o contrário. Até as seguradoras já descobriram isso. Só os nossos eternos machistas ainda acreditam que quem provoca acidentes é a mulher.

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