O Coringa existe e está entre nós


Tudo anulado. Como se eles fossem ícones do empreendedorismo, e não os bandidos que são. O bandido agora é o investigador policial, que obteve provas indevidamente. Sempre foi assim e vai continuar sendo assim. Dinheiro é poder e vice-versa.

Então, somos reféns o tempo todo, numa sociedade mentirosa, hipócrita, onde se mede a qualidade do sujeito não pelo seu caráter, mas pelo tamanho da cara de pau que tem para mentir, dissimular, construir uma identidade de aparências e, especialmente, de criar uma extensa rede de influências que estende sua teia até mesmo para dentro da mais alta corte de justiça da nação.

Digo tudo isso porque ontem o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou as provas da operação Satigraha, da Polícia Federal. A Quinta Turma do STJ decidiu, por 3 votos a 2, anular as provas obtidas na Operação Satiagraha porque considerou ilegal a participação de membros da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), ou seja, o grampo utilizado para gravar o descaramento dos bandidos era ilegal. Eles estão rindo da nossa cara, fazendo pouco, brincando, alegres e felizes como crianças inocentes.

A decisão permitiu que os criminosos do colarinho branco fossem inocentados, incluída a retirada da condenação do banqueiro Daniel Dantas por lavagem de dinheiro. Em abril, a mesma corte anulou a Operação Castelo de Areia, sob o argumento de que as escutas telefônicas foram autorizadas com base em denúncias anônimas.

Enquanto isso, a sociedade, que espera por justiça, fica com cara de taxo. Eles fazem, saem impunes e ainda por cima dão gargalhadas. O Coringa não é uma figura de gibi. Ele existe, em carne e osso. Mas quem tem a cara pintada somos nós.

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