quarta-feira, 28 de novembro de 2012

As "exumações" da Comissão da Verdade

Em relação ao caso Rubens Paiva, tomo a liberdade de publicar aqui um emocionado depoimento de um amigo. Trata-se do teólogo Dr. Oneide Bobsin, reitor da Faculdades EST, em São Leopoldo (RS). Ele é um dos integrantes da Comissão Estadual da Verdade do Rio Grande do Sul. Desde que ele tem acompanhado de perto todos os casos que são apresentados à Comissão, ele tem enviado alguns depoimentos emocionados das coisas que são "desenterradas" (literalmente) ali. O último desses eventos de "exumação" foi o caso Rubens Paiva, com a presença da filha do deputado desaparecido há 41 anos. Abaixo, o texto que Bobsin compartilhou com amigos na internet:



Hoje, dia 27, houve uma audiência no Piratini  com presença da Comissão Estadual da Verdade, mais um representante da Comissão Nacional da Verdade e a filha de Rubens Paiva, deputado morto pelo DOI-CODI. Sua filha Beatriz esteve presente na entrega dos documentos para as Comissões da Verdade; documentos apreendidos na casa do coronel Molina, que foi morto por bandidos. O coronel foi um dos ordenadores da violência e da tortura no regime militar. O Governador parabenizou a Política Civil por ter dado um destino certo a documentos públicos, que se encontravam na casa do coronel. Em outra época  ou com outras pessoas, os documentos não cairiam nas mãos do Governo, disse Tarso. Na casa do coronel  foram encontradas 20 armas do exército, que para este órgão voltaram e mais  uma caixa com 205 páginas de documentos, relatórios e anotações dele sobre  o esquema de tortura. A partir de quinta teremos acesso ao material, já digitalizado.

O que mais chamou a atenção foi o depoimento rápido da filha Beatriz Paiva:  Parece que estamos vendo um filme onde  não  aparece o The End.  De tempos em tempos alguém descobre  uma informação sobre o nosso pai, a notícia se espalha  e a dor toda volta. Era quase um pedido para não se falar mais sobre o desaparecimento de seu pai. Mesmo assim, agradeceu o empenho de todos em elucidar a verdade.  Aguardemos, pois, as reações de todos os lados.  Por vias tortas   do assassinato os documentos vieram  para a luz do dia. Parece que a família do coronel morto colaborou com a polícia civil. Militares que  fizeram parte da tortura  faziam pressão sobre aqueles torturadores que queriam abrir o passado.  Por esta razão, a família do coronel logo colaborou com a polícia.

As dificuldades da EST,  doenças na família ( mãe e sogro|) e a sessões de escuta de parentes de mortos, desaparecidos, busca de restos mortais, violência dos agentes de Estado, enlutados, etc. – nas quintas à tarde, no 12 andar do IPE– aumentam  a couraça  da gente para  enfrentar tudo isto. Ainda bem que no centro da fé está um crucificado que não ficou na morte. As picuinhas do cotidiano se tornam irrelevantes, o que pode ser perigoso, também. Chega por hoje. Vou para academia fazer musculação e natação, a fim de aguentar o tranco. Afinal, a verdade nos libertará.

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