Homenagem a Dieter Prinz

Daqui há pouco, tenho um compromisso fúnebre (9h00). Vou render a última homenagem ao pastor Dieter Prinz, que recebeu a graça do alívio ao seu longo sofrimento, no dia de ontem. Ele está na minha memória do tempo de jovem estudante, de estagiário em Blumenau, quando eu era candidato a pastor.

Visto de dentro dos meus olhos de então (1976), o pastor Dieter Prinz era uma imagem forte, de um homem determinado e que era estimado pela sua paróquia, na qual atuou por mais de duas décadas. Como até ali eu só tinha ensaiado tímidos passos de liderança num grupo de juventude, eu admirava a sua destreza como líder, a sua agilidade mental e de argumentação em assembléias e concílios.

Me impressionava a sua determinação em não se contentar com o aceitável e em buscar qualidade, num tempo em que era bastante comum oferecer cadeiras de palha ou mesas de tábuas rústicas em dependências de comunidades. Com ele não havia essa de "está bom assim". Ou era bom, ou não era. E quando ele falava "bom", era bom mesmo.

A sala de reuniões do presbitério da paróquia Itoupava Seca, em Blumenau, era um espaço executivo que não ficava devendo nada a uma sala com destino semelhante em qualquer empresa têxtil de vanguarda, como eram as da sua época, em Blumenau. Nada de cadeiras de palha, cheiro de mofo ou divisórias de festa de igreja encostadas num canto. Havia quadros na parede com a história da comunidade, uma mesa de verdade, em torno da qual se sentava em cadeiras estofadas e confortáveis. Aquela sala tem o jeito dele, ainda hoje.

E ele era assim em tudo. Os seus cultos eram irretocáveis, da vestimenta litúrgica ao último "amém". Havia profundidade, seriedade litúrgica e o que se pode chamar de postura sacerdotal. Para ele, não bastava anunciar o evangelho. Este anúncio tinha que vir embalado em papel de presente, com laço e tudo. Num tempo em que poucos valorizavam ou sequer suspeitavam do verdadeiro sentido da palavra "qualidade", ele dava passos pioneiros.

Ser levado ao último repouso hoje, no dia 10 de junho, o dia do pastor, é uma justa homenagem. E no meu entender, uma homenagem tardia, que não resgata sua real importância para Blumenau e o Vale do Itajaí. A excessiva severidade disciplinar da igreja maculou o final da sua impecável carreira de sacerdote.

Mas agora, descanse em paz, Dieter. A história há de ser mais justa contigo do que foram em vida.

Comentários

  1. Lucas Adolf Prinz22 de maio de 2012 16:22

    Muito Obrigado pelas palavras!
    Ele era realmente tudo isto! uma pessoa incrivel!

    Lucas Adolf Prinz

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    1. Obrigado, Lucas! Saudades dele, num tempo em que não se fazem mais pastores como antigamente...
      Clovis

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