Um São João só nosso

Todo esse tempo já passou. Entretanto, ainda parece ter sido ontem. Dia de São João. Festa grande. A maior de Rio do Sul durante todo o ano. As barracas cercam a matriz e o povo toma conta do pátio, da praça Ermembergo Pellizzetti, do centro da cidade. É assim todos os anos.

Mas o dia 24 de junho, há 32 anos, foi ainda mais digno de nota. Naquele dia, às 18 horas, começava uma outra festa.

Durante meses eu havia me preparado para ela. Todos os dias eu abria a caixa dos sapatos para admirá-los, sentir o cheiro do couro, espelhar-me no seu brilho. Jamais havia possuído um par tão especial, significativo, bonito. Enquanto admirava os sapatos, os sonhos corriam soltos, como cavalos selvagens. Longe da noiva, naqueles últimos dias antes do casamento, o peito doía. Ao mesmo tempo, o coração pulava de emoção pela expectativa do dia 24 de junho.

Passaram-se 32 anos. É uma vida inteira. Nesses tempos de uniões cada vez mais blitz, nós dois somos quase uma aberração estatística. Mas isso não nos tira o sono. Depois de todo esse tempo, ainda podemos nos olhar nos olhos, sentir um calafrio na espinha e dizer "eu te amo".

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