Stammtisch, Lederhosen e Blasmusick

O verdadeiro motivo para comemorar hoje não é a provável vitória do Brasil na Copa sobre a Coreia do Norte, mas a decisão do juiz Osmar Tomazoni, titular da Vara da Fazenda Pública, que concedeu liminar ontem à tarde, suspendendo a execução do contrato de privatização do tratamento de esgoto de Blumenau.

Tomazoni determinou a retirada imediata de todos os funcionários da empresa Foz do Brasil (que nome, hein? Vocês têm que ouvir a Voz do Brasil!) das instalações do Samae e o cancelamento das suas senhas no sistema da prefeitura. Ou seja, a empresa é privada, mas eles estão nos quadros do funcionalismo público.

Comemoro também a ação do promotor Gustavo Ruiz Diaz, do Ministério Público Estadual, autor da ação civil pública que levou à decisão do juiz. Eternos e audaciosos vigilantes, esses promotores percebem quando o povo está sendo ludibriado e a lei tratada como pano de chão.

Não se pode esquecer também do empenho do coordenador jurídico do Comitê Contra a Privatização do Esgoto, o advogado Ivan Natz. Concordo com eles que esgoto é assunto público. E Blumenau tem somente 6% do seu esgoto tratado (vergonha nacional!) porque enfiar tubo debaixo da terra não dá voto. Privatização dá voto porque a gente finge que resolve o problema, enquanto contrata um terceiro (privado!) para fazer o serviço sujo e cobra a conta do contribuinte.

Em vez de usar o rio como uma explêndida alternativa de transporte para o Vale, ele só serve para transportar cocô. Mas, para essa turma, o negócio é privatizar, nem que seja o tratamento do nosso cocô... Copiar coisas boas da Alemanha, como esgoto bem tratado e transporte fluvial de qualidade, não interessa a eles. Enquanto isso, dá-lhe Stammtisch, Lederhosen e Blasmusick...

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