Um parente remoto nos Alpes


No ano de 1991, alguns alpinistas alemães subiam os Alpes italianos, quando encontraram uma múmia no meio de uma geleira. Como não é difícil encontrar cadáveres de alpinistas que se deram mal em alguma escalada, acharam tratar-se de algum desafortunado que congelou durante uma tempestade recente. Mas a análise do cadáver num laboratório revelou uma extraordinária descoberta científica. Tratava-se de um corpo com idade aproximada de 5.300 anos. O homem do gelo foi batizado de Ötzi e, desde então, voltou à “vida” com muitas histórias e instigantes perguntas sobre o passado humano. Hoje ele está num centro de pesquisas da Itália e, quase 20 anos depois da descoberta, teve seu DNA mapeado no mês de julho.

Com o sequenciamento do DNA, que demorou três meses, os cientistas têm à disposição um modelo da estrutura genética de Ötzi. Eles sabem a disposição dos pares de bases de DNA, mas ainda têm que decifrar exatamente a que traços genéticos eles correspondem, e estes variam entre a cor dos olhos até as doenças que ele pode ter tido.

Mas além de fatos simples sobre a fisiologia de Ötzi, a múmia pode ajudar a esclarecer como evoluíram doenças humanas como diabetes, o que pode levar a melhores tratamentos no futuro. Além disso, os cientistas se perguntam se é possível que elementos do seu DNA tenham ainda persistido na região dos Alpes.

Para a espécie humana, trata-se de um precioso mapa do nosso próprio passado, impresso na sequência de informações dos genes de Ötzi. De qualquer modo, tanto a descoberta quanto a pesquisa em torno dela é algo fascinante.

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