Autoridade é uma conquista



A conferência mensal de ministros/as da IECLB no Vale Do Itajaí é um encontro mensal de ao redor de meia centena de pastores, pastoras, diáconos e catequistas. O grupo é responsável pelo atendimento eclesiástico dos 80 mil luteranos que vivem na região e se juntam nas mais de vinte paróquias. É uma das mais densas concentrações de luteranos ligados à IECLB no Brasil.

Um desses encontros mensais está acontecendo hoje. Eu estive lá até agora. O grupo está preocupado com a autoridade pastoral. Para trabalhar essa preocupação, eles convidaram o pastor sinodal aposentado Nelso Weingärtner e o psicólogo Claudemir Casarim.

Segundo o pastor Weingärtner, a função pastoral passa por um amplo esvaziamento da condição de porta-voz de Deus para os fiéis. Os pastores foram nivelados com outras funções e, em diversos casos, viraram meros funcionários dos presbitérios, que devem prestar seus serviços segundo um critério cada vez mais empresarial de rendimento. Isso faz com que tenham que demonstrar serviço e, nesse corre-corre, sobrecarregam-se e não têm mais tempo para ler, preparar-se, meditar e, mesmo, orar.

Penso que o pastor Nelso tem razão. A próxima avaliação do ministro pode também significar o fim do seu contrato de serviço, causando insegurança e temor. Isso lhe tira a autoridade pastoral e a condição de porta-voz de Deus. Ao ser nivelado desta maneira, a tendência é que prefira mesmo falar amenidades e engolir em seco quando deve levantar a voz profética.

Exagerando um pouco, sempre me lembro do filme “Chocolate”. Nele, Alfred Molina faz o papel de um prefeito que censura os sermões do padre local nos sábados de madrugada e, no domingo pela manhã, senta na primeira fila da igreja com uma cópia na mão para ver se o padre realmente diz tudo que está no texto e nada além (a cena de Molina no banco da igreja está na foto acima).

Ainda não chegamos lá, mas imagino que isso não é impossível de acontecer. Pelo menos, uma comissão avaliadora num culto pode ter um efeito semelhante. Ou seja, a autoridade pastoral foi pisoteada e rebaixada. Há um trabalho duro a ser feito para recompor tudo isso. As dicas do psicólogo Casarim podem ajudar a restabelecer um pouco a auto-estima dos ministros.

A saída está no auto-conhecimento e em trabalhar com força o marketing pessoal. Nossos ministros e ministras precisam dar-se o respeito. Precisam amar-se. Quem chega escondido, pelos fundos, todo encolhido e com medo de aparecer, contando os minutos para encolher-se novamente no seu cantinho, não é visto, nem reconhecido.

Assim também não se granjeia autoridade. Sim, porque a autoridade não é imposta, nem vem da função ou de um papel de dominação. A verdadeira autoridade é construída pelo reconhecimento. Eu não sou uma autoridade porque sou pastor, mas me torno uma autoridade porque minha postura profissional me deu a condição de autoridade. Por isso mesmo, eu só tenho autoridade quando a conquisto.

E isso, meus caros colegas, é uma arte, que se aprende a dominar, como lutar esgrima ou andar de motocicleta. Quanto a lutar esgrima, não tenho nenhuma noção. Mas quanto a andar de moto, primeiro é preciso andar 30.000 quilômetros para dizer que domina esta arte com razoável destreza. Depois, é só prazer. E você pode falar com autoridade...

Comentários

  1. Não foi fácil dizer ao grupo de pastores, que respeito como a meu pai, que eles precisam rever seu modo de agir, não por estar errado, mas por não torná-los visíveis, se desejam ser reconhecidos nas suas comunidades. Foi isso que meus kilometros rodados na Psicologia me estimularam a dizer, ainda que meio desequilibrado pela tensão do momento.

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