Um mundo plural e tolerante



Joseph Weiler é o advogado de defesa de um grupo de nações, lideradas pela Itália, que recorreu da decisão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos que dizia que os crucifixos nas salas de aula italianas violavam a liberdade religiosa (o recurso ainda não obteve resposta). É um dos maiores especialistas em direito constitucional europeu.

Na questão dos crucifixos, argumenta que remover a cruz é algo realmente antiliberal. Permitir a cruz é a posição liberal, a posição pluralista, porque a Europa tem tanto uma França quanto uma Grã-Bretanha. A França é um Estado oficialmente laico, enquanto na Inglaterra o hino nacional é "God Save the Queen" (Deus salve a rainha), e a Rainha é também a chefe da Igreja da Inglaterra. Toda imagem da Rainha em uma sala de aula britânica é tanto um símbolo nacional quanto religioso.

Você poderia dizer que essa é uma grande tradição, que é a Europa autêntica. A posição esclarecida é aceitar uma Europa que inclua a França, como também a Grã-Bretanha, e não afirmar, como a Câmara fez, que todos têm que ser como a França – ou neste caso como os EUA. O que é preciso fazer é capacitar uma potencial maioria a se sentir que está fazendo a coisa certa, que deveriam se orgulhar disso. Isso não é anti-europeu, antiliberal ou reacionário.

Acontece que Joseph Weiler é judeu. Nasceu na África do Sul, filho de um rabino da Letónia. “Judeu ortodoxo profundamente fiel”. Deu uma entrevista a John L. Allen Jr., do “National Catholic Reporter”, na qual insiste que a defunta Constituição Europeia deveria ter referido as raízes cristãs.

As pessoas me perguntam um milhão de vezes como um judeu praticante pode defender uma referência às raízes cristãs na Constituição Europeia, e eu digo que nesse contexto não sou um judeu praticante, mas um constitucionalista praticante. Sou um pluralista praticante.

O pluralismo praticante é a atitude que falta a muitos de nós que, em lugar de defender “a” verdade, defendemos “a nossa” verdade, que sempre será parcial, unilateral, distorcida e, pior, muito pequena diante da verdade toda.

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