Muito além do Costa Concórdia


O naufrágio do transatlântico de luxo Costa Concórdia tornou-se uma das principais notícias de tragédias dos últimos anos. Mas, além de azedar o cruzeiro luxuoso de quatro mil e poucas pessoas pelo Mediterrâneo e causar a desgraça profissional e pessoal do capitão italiano, não chegou a vinte o número de pessoas mortas. A notícia do naufrágio foi acompanhada como novela e as reportagens sobre o Costa Concórdia bateram recordes de acesso na internet.

A verdadeira tragédia que vem acontecendo no Mar Mediterrâneo, entretanto, teve poucos olhos voltados em sua direção e despertou interesse quase nulo da imprensa e de seus leitores, sempre tão ávidos por tragédias.

Segundo as Nações Unidas, no ano passado mais de 1.500 pessoas desapareceram ou se afogaram no mesmo mar do Costa Concórdia em pequenos barcos de refugiados africanos, que buscavam refúgio na Europa. É o maior número de mortos desde que começou a contagem, em 2006, segundo o Serviço de Auxílio a Refugiados da ONU.

Segundo a mesma fonte, pelo menos 60 mil refugiados conseguiram seu intento de desembarcar no litoral do sul da Europa, a maioria na Itália, na Grécia e em Malta. Muitos deles vieram da Líbia, da Tunísia e da Somália, fugindo de conflitos.

Essa gente não realiza essa travessia em transatlânticos, ou mesmo em barcos seguros. Muitos migrantes e refugiados atravessam em embarcações que sequer estão em condições de fazer a travessia a que se aventuram. Outros pagam quantias absurdas a rebocadores para que os levem ao outro lado. Durante essas travessias, muitos foram submetidos a violência e até lançados ao mar. Além disso, há rigorosas patrulhas por toda a região, tentando impedir que os “marujos” improvisados concluam a sua viagem.

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