O espeto está virando


Notícia publicada no Diário Catarinense do dia 7 de fevereiro dá conta de que um milhão e duzentos mil catarinenses estão na miséria e à beira de passarem a tornar-se sem-teto, vivendo na rua. Esse é o número exato de pessoas a viver em situação de pobreza em nosso estado e, segundo o Diário, "a longo prazo, integrar a lista de moradores de rua do estado".

A reportagem denuncia que já há 150 delas vivendo nas ruas de Florianópolis, dos quais 89% são homens e 67% com algum tipo de vício. O texto não indica qual, mas não há duvidas que a lista se resume basicamente a bebidas alcoólicas e drogas, como o crack.

Os próprios moradores de rua foram à Câmara de Vereadores da capital catarinense reivindicar seus direitos, estabelecidos na lei que institui a Política Nacional para a População em Situação de Rua, aprovada em 2009. Eles querem acesso a saúde, abrigo para passar a noite e mais segurança. Temem jovens insanos da classe média se divertindo nas madrugadas com a desgraça alheia, coisa que não tem faltado entre os brasileiros mais insensíveis. Pura estupidez. Em Floripa, até chegaram a pedir para não serem agredidos e humilhados pelos agentes da Guarda Municipal e da Poícia Militar, que são pagos para garantir a segurança (só não se diz a segurança de quem!).

Você estranha que, ao anunciar o risco de 1,2 milhão de catarinenses viverem na iminência de pararem na rua, sejam apontados somente meros 150 "vagabundos" (é isso que muitos pensam deles) perambulando pelas ruas de Floripa? Onde está essa multidão de prováveis futuros andarilhos e destelhados?

"Eles estão no Oeste", garantiu-me um amigo. Sabe onde? No campo, num estado cuja marca é a agricultura familiar de auto-sustento, mas que nada faz para assegurar a permanência do homem no campo. Chapecó, por exemplo, é um bom lugar para ver ex-colonos agora sem coisa alguma migrando para as suas favelas como um imenso carreiro de formigas. É em situações como esta que a bomba-relógio do sem-tetismo está sendo armada em SC.

Mas ainda tem muito catarinense que, ao falar de miséria, enche a boca para mencionar o Nordeste. As coisas mudaram. O Nordeste tem a maior taxa de crescimento do Brasil (chega a cravar 10% ao ano!) e está desenvolvendo a olhos vistos. Infra-estrutura, indústrias e empregos tantos que a onda migratória inverteu-se na última década. Agora são os paulistas e paranaenses que procuram emprego no Nordeste... Ao mesmo tempo, os migrantes nordestinos, cheios de esperança, realizam o antigo sonho de voltar para a amada terrinha.

Enquanto isso, aqui no orgulhoso Sul, as cidades estão estagnando. Porto Alegre, Caxias do Sul, Novo Hamburgo e até a orgulhosa Blumenau. Por que você acha que a Altona já deixou claro que vai para o litoral? Falta infra-estrutura de logística para uma fundição do porte da Altona em Blumenau. Se você não acredita, tente se informar o quanto é difícil tirar uma peça gigantesca para uma hidroelétrica do pátio da Altona para transportar para o Norte. Nem estrada tem, pois a peça atravessa as duas pistas...

Se nada for feito, o espeto vai inverter no Brasil. Até o clima já está virando e a seca insiste em desertificar o pampa gaúcho e os prados do Oeste catarinense... É só deixar rolar, que a tragédia já está anunciada.

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