Uma ração muito indigesta




A Rio+20 chega ao fim com resultados nulos para o futuro do Planeta. Ninguém se importa realmente. Todos aproveitaram para apontar o dedo na direção dos outros. O culpado de tudo sempre está extra nos. E a pergunta que mais se ouve é "quem vai começar?" É muito raro que apareça quem afirma ter, ele mesmo, iniciado a fazer a sua parte.

Depois de mais uma frustrada rodada de conversa fiada e acusações mútuas de um encontro de poderosos para confabular sobre o clima no planeta, apenas tire alguns minutos para ver o documentário acima. Ele mostra um paraíso. Trata-se de uma ilha no meio do oceano; o ponto da Terra mais distante da costa de qualquer civilização humana. E quando você estiver extasiado com tamanha ousadia da vida no planeta, que se reproduz livremente e avança de modo espantoso, vem a surpresa desagradável. Mesmo naquela ilha, os pássaros morrem porque se alimentam de plástico! O lixo humano chegou ao ponto mais distante da civilização.

Cada um de nós contribui diariamente um pouquinho para que aqueles albatrozes sucumbam de indigestão plástica. Enquanto isso, continuamos apontando o dedo na direção dos outros. Aplacamos as nossas próprias consciências com coisas menores, como usar sacolas retornáveis, enquanto teimamos em não abrir mão do nosso homo consumus interno, que nos possui. Não queremos que os países industrializados poluam menos. O que queremos é chegar no nível deles. Mesmo que isso custe a vida de alguns albatrozes menos espertos, que comem plástico como se fosse ração.

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