Racismo ainda em campo


Mario Barwuah Balotelli imita o macaco que dizem que é.

Ao ver a foto de Mario Balotelli nas páginas esportivas dos jornais de hoje, não dá para não se lembrar de Jesse Owens. Inacreditável que 64 anos depois das Olimpíadas nazistas de Berlim o tema do racismo, da xenofobia e da arrogância racial dos brancos tenha um teimoso espaço, em pleno século 21. Poloneses, ucranianos, espanhóis, alemães, portugueses e até mesmo os italianos, que têm Balotelli no time, são racistas, imitam macacos e jogam bananas contra jogadores negros.

Balotelli mostrou-se acima de tudo que vem sofrendo desde que chegou à Itália como filho adotivo. Enfrentou poucas e boas até tornar-se o herói absoluto da Azurra. Ele é o artífice da Itália na final da Eurocopa. A sua vitória pessoal calou os racistas de plantão. O seu gesto imitando o macaco que dizem sempre que ele é jogou a pá de cal sobre a arrogância européia.

Jesse Owens levou quatro ouros diante de Hitler


Nos Jogos Olímpicos de 1936, na Alemanha de Adolf Hitler, também foi assim. Hitler queria mostrar ao mundo a superioridade da raça ariana. Mas os negros quebraram a teoria de Hitler ao meio. Das 14 medalhas de ouro conquistadas pelos Estados Unidos no atletismo, nove vinham de vitórias negras. Destas, quatro foram conquistadas por uma única muralha negra: Jesse Owens. O atleta nascido no Alabama fez Hitler abandonar o Estádio Olímpico, após subir no primeiro lugar do pódio pela terceira vez. Owens ficou com o ouro nos 100 m, 200 m e no revezamento 4 x 100 m. Além disso, teve o primeiro lugar no salto em distância.

Para não dizer que Mario Barwuah Balotelli venceu o racismo sozinho, o gol de honra do time alemão veio do turco Mesu Özil. Também isso deve ter feito muito alemão engolir em seco.

Quando é que vamos finalmente entender que, por debaixo da pele, todos somos exatamente iguais, feitos de carne, de ossos, de sangue e de tudo o mais da mesma cor? Mais ainda, que no interior de cada um e cada uma de nós habita um ser criado à imagem e semelhança de Deus, que somos todos/as iguais, irmãos e irmãs do mesmo Pai? Quando vamos aprender que todas as diferenças de origem, de cor, de posses e de valor terminam dentro de uma caixa de madeira?

Oh, Deus! Em pleno século 21 isso tudo podia ser coisa de um passado desprezível e sombrio....

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