Impiedosa superficialidade



As pessoas têm uma facilidade impressionante em emitir juízos superficiais umas sobre as outras, sobre as idéias e projetos alheios, sobre livros, filmes, coisas que se diz e se faz. A superficialidade reina nessas análises. E elas costumam ser bem duras, impiedosas e quase sempre afiadas como lanças. Em nossa sociedade impera uma tendência de desfazer o outro, de reduzir a pó seus feitos, suas idéias e pensamentos, de bater sem piedade.

Essa tendência agravou-se ainda mais com a internet. As redes sociais são o verdadeiro paraíso do hábito de desfazer o que não foi construído por nossas próprias mãos. Estou pensando concretamente, por exemplo, no pastor da Assembléia de Deus Bethesda, Ricardo Gondim, que de tanto levar na cabeça e ver sua teologia e sua ideologia enxovalhadas por posts impiedosos, retirou-se das redes sociais. Ele faz falta. As suas mensagens diferenciadas, bem-fundamentadas e escritas com muita propriedade desapareceram. É uma pena. Conseguiram calar uma voz expressiva, profunda, diferenciada no meio eclesial brasileiro.

Tudo baseado na inveja, no preconceito e, especialmente, na superficialidade banal e descabida que tem por regra número um o fundamentalismo bíblico.

Um pouco mais de cuidado com o que se diz, como se diz e quando se faz isso deveria reger as nossas manifestações. Principalmente, elas deveriam vir acompanhadas de amor, de desejo de construir e melhorar, nunca de desfazer, minimizar, reduzir a pó ou de destruir. Gondim, você está fazendo falta, cara.

Enquanto ele não volta às redes sociais, publico aqui o endereço do site de Ricardo Gondim para que os seus textos lúcidos e atuais sejam conhecidos também em nosso meio.

Comentários

  1. "Um pouco mais de cuidado com o que se diz, como se diz e quando se faz isso deveria reger as nossas manifestações. Principalmente, elas deveriam vir acompanhadas de amor, de desejo de construir e melhorar, nunca de desfazer, minimizar, reduzir a pó ou de destruir. "

    Será que Gondim pensou nisso quando publicou em seu site que a doutrina da eleição, um dos pilares do calvinismo, é uma "maldição"? Será que ele não poderia ter simplesmente manifestado sua discordância e exposto seus argumentos (que diga-se de passagem, nunca se baseiam nas Escrituras, mas sempre em achismos pessoais), sem precisar jogar uma "maldição" contra todos aqueles que acreditam nessa doutrina, dentre os quais se encontram os presbiterianos (denominação da qual Gondim foi membro)?

    Superficialidade é o modo como seu post tratou o assunto. Imagine, por exemplo, que algum líder evangélico declarasse que a doutrina do "Sola Fide" ou o "Sola Gratia" são "maldições", e quisesse ainda assim andar isento de críticas circulando em um ambiente luterano, e publicando como colunista num periódico luterano? Você acharia ignorância um periódico luterano negar suas páginas a um colunista assim, ou ainda que alguns luteranos criticassem as opiniões de alguém assim?

    Quem fala o que quer tem que saber ouvir o que não quer. Essa é uma das leis da liberdade de expressão. Ricardo Gondim quis falar tudo o que passou por sua cabeça mas se sentiu ofendidinho quando alguns resolveram contra-argumentar.

    E em tempo, quanto às críticas à teologia da prosperidade e à mercantilização da fé que acontece nas Igrejas Evangélicas, essa parte eu endosso tudo... mas não é por essas coisas que Gondim vem sendo criticado! Ele está evidentemente tentando se fazer de vitima e de mártir, quando não é o caso.

    Não é por causa da teologia que com razão ele rejeitou (a da prosperidade), mas sim por causa da teologia que ele defendeu (a relacional) que ele vem justamente sendo classificado como herege! Assim como ele tem o direito de defender a teologia que bem entender, os demais cristãos têm todo o direito de analisar e julgar o que ele diz!

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