A Rio+20 e o futuro que nos espera



Para Bastián Torres Durán, do Conselho Latino Americano de Igrejas-CLAI, a Rio+20 terá muito a avaliar, discutir e propor.

Entre 3 e 14 de junho de 1992 realizou-se, no Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Os governos que dela participaram adotaram declaração que reafirmava a Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, aprovada em Estocolmo em 16 de junho de 1972.

Os governos defenderam, então, uma aliança mundial nova e equitativa com a criação de novos níveis de cooperação entre os Estados, os setores chaves das sociedades e de pessoas. O resultado foi uma declaração que, além de reconhecer a natureza integral e interdependente da Terra, nosso lar, proclamou 27 princípios relacionados ao uso e usufruto responsável e sustentável do planeta.

Vinte anos depois da Rio 92 é impossível não se perguntar o que ocorreu desde então. Desde a Cúpula do Rio a temática da sustentabilidade deixou de ser privativa dos organismos internacionais e do âmbito acadêmico. Pelo tratado, em 1997 materializou-se o conhecido Protocolo de Kyoto (Convênio sobre Mudança Climática), pretendendo ser um freio à emissão dos gases provocadores do efeito estufa.

Infelizmente, o mecanismo não conseguiu impactar o planeta da maneira esperada. Pelo contrário, depois da crise de 2009, as emissões seguiram em constante aumento. Não se conseguiu reduzir o uso de carvão e petróleo como combustíveis de sustentação da atividade industrial. A superfície arborizada de bosques caiu 5% entre 1990 e 2010. Se em 1990 essa área era de 4,2 bilhões de hectares, ela foi reduzida para 4 bilhões em 2010.

A Rio+20 tem muito a avaliar, discutir e propor. Os países, grupos militantes e produtores econômicos devem trabalhar em conjunto para a real consecução de um desenvolvimento sustentável.

O Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), como grupo internacional, dará o melhor de si para manter tanto os nossos irmãos latino-americanos vinculados aos tratados, lembrados e declarados nas jornadas que, esperamos, signifiquem a adoção de políticas internacionais concretas para que o crescimento e o desenvolvimento assegurem o futuro que nos espera.

(Até aqui o texto de Torres Durán, publicado por ALC)

O duro trabalho da Rio+20 começou. Um dos objetivos do trabalho que vem sendo realizado nesses dias, é o de elaborar um documento-base a ser submetido aos governos dos países no final da Conferência, para que o sancionem. Tarefa difícil essa.

Até o momento, há em torno de 250 pontos com sérias divergências no texto que deve ser apresentado, as principais sobre como melhor implantar a tão apreciada plataforma da “Economia Verde”. O hemisfério norte parece não estar disposto a questionar o seu estilo de consumo e de produção, atrelado a um imenso desperdício de recursos naturais.

Enquanto isso, os países emergentes do hemisfério sul temem que o norte use as reivindicações de frear o consumo e a produção como instrumento de chantagem para fechar o seu mercado aos produtos e recursos que produzem. Sentem-se em desvantagem por conta dos avanços tecnológicos das nações industrializadas para implantar uma economia verde. Exigem que o norte pague mais pela preservação no sul, pois fica difícil convencer o Brasil, por exemplo, a preservar a Amazônia para proteger o clima do planeta e, além disso, ter que pagar uma fortuna pela tecnologia necessária para isso.

Por isso mesmo, é improvável que a rio+20 produza significativos impulsos concretos, que de fato alterem substancialmente o quadro climático do planeta, e promovam mais proteção ambiental do que a que foi realizada até aqui. Quem aposta nessa linha, não conhece o que move o ser humano. No fundo mesmo, todo mundo quer continuar a andar no mesmo ritmo que se trilhou até agora. Alguns até querem acelerar...

Numa análise realista, Rio+20, sem disfarces e fingimentos, significa que há mais vinte nações na fila, querendo arrancar a sua parte do já devastado planeta que todos habitamos.

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