Os direitos humanos, de novo

O juíz Baltasar Garzón pode ficar 20 anos inabilitado, o que acabaria com a sua carreira

No mundo inteiro, os direitos humanos não são problema algum. Eles apenas se tornam um problema severo, quando se acrescenta um "para todos" atrás. Em todos os países há uma turma crescente que está totalmente convicta de que os direitos somente são "humanos" quando dizem respeito aos seus próprios. Quando os outros elevam suas vozes na busca de ampliação do seu alcance, logo surge uma horda de gente para dizer que "assim não pode, assim não dá".

Hoje, mais um defensor dos direitos humanos "para todos" foi encostado na parede com todo o rigor. Trata-se do juiz espanhol Baltasar Garzón, que foi suspenso preventivamente nesta sexta-feira 14de maio das funções como magistrado pelo Conselho Geral do Poder Judiciário espanhol. Famoso por condenações ao grupo terrorista basco ETA e por ter mandado prender o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, ele foi afastado do ofício para ser investigado por abuso de poder.

O motivo? Ele foi formalmente acusado em abril, após o magistrado do Supremo Tribunal espanhol, Luciano Varela, analisar as queixas apresentadas contra o juiz pela organização franquista Falange, pela organização de extrema-direita Mãos Limpas e pela associação Liberdade e Igualdade, que alegam que as investigações de Garzón acerca de crimes cometidos durante a Guerra Civil (1936-1939) e a ditadura franquista ferem a lei de anistia geral, de 1997.

O órgão de governo dos juízes decidiu por unanimidade suspender Garzón. O juiz, de 54 anos, pode ficar inabilitado por 20 anos, o que acabaria com sua carreira profissional. Entretanto, até o início das investigações sobre o franquismo, não havia nenhuma prova dos crimes de violação de direitos humanos cometidos no período por conta da anistia concedida em 1977 pelo Parlamento, dois anos depois da morte de Franco.

Ou seja, não mexam nisso! Todo mundo foi anistiado. Já assisti a este filme...
(Com informações e imagem do Opera Mundi (http://operamundi.uol.com.br/).

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