quarta-feira, 26 de maio de 2010

Preconceito atinge a beleza americana


Rima Fakih é libanesa naturalizada americana. Dona de uma beleza única, que contrasta com a beleza típica das mulheres americanas, ela venceu o concurso de miss Estados Unidos 2010, na semana passada. Entretanto, não foi a sua beleza estonteante que provocou polêmica, mas a sua origem.

No começo, tudo parecia ir bem, e na noite da eleição todos comentavam que ela era a primeira vencedora de origem árabe e islâmica. Mas, no dia seguinte, alguns jornais americanos usaram descrições nada lisonjeiras, classificando-a de terrorista a prostituta.

Muçulmana xiita, Rima era bem diferente da imagem internacional da mulher xiita, ligada a vestimentas conservadoras como o niqab ou a burka. Ela usava biquíni e participava de concursos de dança em Detroit. Quando se mudou para Nova York, do Líbano, chegou a estudar num colégio católico.

Como a imprensa vive de estereótipos, pouca gente sabe que, assim como Rima, há muitas mulheres no Líbano. Desde sempre, em função desta divulgação preconceituosa e americanizada da imprensa internacional, o ocidente associa os xiitas ao que há de mais radical no mundo islâmico. Em Beirute, não é incomum uma jovem muçulmana, xiita ou sunita, estudar na Universidade Saint Jouseph ou ir a alguns dos liceus franceses dirigidos por padres católicos. Também vão às praias no verão, entram no mar ao lado de homens e frequentam a noite da cidade que tem a melhor vida noturna do mundo árabe.

Entretanto, numa mesma família pode haver uma mulher com roupas liberais, como Rima, e outra com o véu cobrindo a cabeça. São os contrastes libaneses que sempre marcaram a diversidade do país. E são opções que devem ser, em todos os casos, respeitadas.

Alguns parentes de Rima que vivem no Líbano integram o Hezbollah. Para os libaneses, algo comum. A organização é vista no país como um partido político, integrante da coalizão governamental e que realiza ações sociais. Já nos EUA, o Hezbollah não passa de um grupo terrorista que busca destruir Israel. Ao ser eleita miss em território americano, se viu cobrada por causa de seus parentes, com tais desprezíveis ligações terroristas, além de ter que explicar um suposto strip tease.

Como dois mais dois somam quatro, ela virou terrorista e prostituta do dia para a noite. Mais uma vez vence o preconceito e ela não terá vida fácil, num ano que, para qualquer miss, costuma transformar-se na experiência mais gloriosa da vida.

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