A mais terrível das noites


A “Noite dos Cristais” (Kristallnacht), na passagem de 9 para 10 de novembro de 1938, deu início à terrível história do holocausto que exterminou seis milhões de judeus na Alemanha e em toda a Europa. Até o final da guerra, em 1945, representou uma das mais sádicas e inacreditáveis histórias de xenofobia e ódio racial que a realidade foi capaz de procuzir e nenhum escritor até então, por mais imaginativo que fosse, foi capaz de antecipar. Durante a Noite dos Cristais, multidões inteiras saíram às ruas para quebrar e incendiar tudo o que lembrasse a existência dos judeus: sinagogas, comércios, indústrias, bancos e casas particulares. Tudo foi destruído pelo fogo e os quebra-quebras, alimentados pelo combustível explosivo do ódio. Foi o maior pogrom de que se tem notícia, essa prática que já vem da idade média, em que se fazia arrastões para expulsar judeus ou outros indesejados.


Logo em seguida a esta terrível noite, estarrecidos e sem nenhuma proteção, sem qualquer protesto ou mesmo sem alguma denúncia, milhares de judeus começaram a ser torturados, deportados para campos de concentração e mortos. Seus bens eram sumariamente confiscados e cada pequena mala era rigorosamente revirada para completar a pilhagem a coisas tão pequenas como brincos e anéis. Todo dinheiro foi roubado deles e eram obrigados a deixar para trás as suas poupanças. Hordas de sádicos arianos se espremiam diante de mesas de leilões para disputar qualquer objeto de valor, que eram adquiridos com festa e alegria contagiante.


Até ali, a partir de 1933, a perseguição aos judeus na Alemanha limitava-se a boicotes contra o comércio deles ou a proibição de que eles frequentassem hospitais e estabelecimentos públicos. Em 1935, a perseguição recebeu o respaldo da lei, com a “Legislação Racisca de Nüremberg”, que proibia casamentos de judeus com não-judeus e alemães de trabalharem em estabelecimentos ou casas de judeus. Para eles era proibido até mesmo hastear a bandeira com a suástica!

O sanguinário evento da Noite dos Cristais fora incentivado pelos nazistas por causa do assassinato do diplomata alemão em Paris por um judeu de 17 anos de idade. Ele por si só, por sua brutalidade que não poupava sequer idosos e crianças, poderia vir a ser o topo de uma cadeia de ódio e perseguição que beira à loucura. Foi uma noite até hoje indescritível, por mais que já se tenha escrito sobre ela. O ódio de toda a população alemã era tão visceral que o comandante nazista Hermann Göring lamentou “as enormes perdas materiais” resultantes do quebra-quebra daquela noite. “Eu preferia que tivessem matado 200 judeus em vez de quebrar tanta coisa de valor”, disse ele.

Reproduzo aqui essas imagens e reconto essa história já mil vezes relatada. Para que ela não se repita. Embora já tenha acontecido de novo, diversas vezes, depois daquela noite que ainda hoje nos choca, em Ruanda, no Camboja, no Sudão e também nos corações de muitas pessoas...

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