Reuniões que não melhoram o clima


A Convenção Marco das Nações Unidas sobre Câmbio Climático, cujas reuniões oficiais acontecerão de 28 de novembro a 9 de dezembro em Durban, na África do Sul, reacende uma preocupação central acerca do futuro do Protocolo de Kyoto. Os países mais ricos já disseram que é impossível chegar a um acordo sobre o mesmo.

Um claro sinal de que em Durban também não vai haver acordo sobre um novo compromisso vinculante para a redução de emissões de gases de efeito estufa foi dado no Fórum das Grandes Economias, que reúne 17 dos maiores emissores do mundo e outros países chave, e que terminou no dia 18 de novembro em Virginia, Estados Unidos. Ali os países mais ricos reconheceram que não será possível alcançar um novo acordo climático global antes do 2016. E caso se consiga nesta data, não poderia entrar em vigor antes de 2020.

Os EUA e os países ricos insistem em "reduções voluntárias”, o que quer dizer não assumir compromissos, especialmente de ser os maiores responsáveis pelo câmbio climático. Gregory Barker, ministro da Energia da Grã Bretanha, disse isso com todas as letras: “a realidade é que não vamos ser capazes de chegar a um acordo internacional vinculante em Durban”.

Na semana passada, a ministra de Meio Ambiente da Índia, Jayanthi Natarajan, afirmou que seu país insiste num segundo período do Protocolo de Kyoto, sem nenhum tipo de compromisso juridicamente vinculante para os países emergentes. Disse que a Índia e outros países em desenvolvimento tinham trabalhado muito duro em Copenhague e Cancun, mas que o mundo desenvolvido havia feito muito pouco em troca. Recordou às nações ricas sua “responsabilidade histórica” para reduzir as emissões de carbono.
Índia foi responsável por 6,2% das emissões globais no ano passado, Estados Unidos por 16,4% e China por 24,6%.

Reunidos em Adis Abeba, os países da África anunciaram que trabalharão para salvar a essência do protocolo de Kyoto, pedindo que os países desenvolvidos reduzam suas emissões em 40% até o ano que vem e ajudem o continente africano a combater os efeitos do câmbio climático.

O grupo BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China) elaboraram uma posição comum em Pequim na semana passada, convocando os países desenvolvidos a comprometer-se a reduzir suas emissões no marco legalmente vinculante do Protocolo de Kyoto.

Na verdade, os planos mais ambiciosos de redução sequer arranhariam a capa do que realmente deve ser feito para mudar significativamente o inevitável rumo do comprometimento climático do planeta. Todas as partes envolvidas nas negociações estão muito mais preocupadas com as suas economias, em empurrar a culpa para os outros e em mudar o menos possível, evitando maior comprometimento financeiro de economias já debilitadas pela atual crise econômica enfrentada em todo o planeta.

Para dar ao menos um sinal de que se quer mudar algo, os países desenvolvidos deveriam comprometer-se a alcançar um marco de compromissos vinculantes com marcos concretos de redução de emissões de gases de efeito estufa como seguimento ao Protocolo de Kyoto que vence no ano que vem. Isso requer uma redução de emissões de pelo menos 45% abaixo dos níveis de 1990 para o ano de 2020 e de pelo menos em 95% para 2050. Também deve haver eliminação gradual do desenvolvimento de combustíveis fósseis.

Não se deve somente buscar a redução dos gases de efeito estufa na atmosfera, mas deve-se buscar de maneira integral e equilibrada um conjunto de medidas financeiras, tecnológicas, de adaptação, de desenvolvimento de capacidades, de padrões de produção, consumo e outras essenciais como o reconhecimento dos direitos da Mãe Terra, para restabelecer a harmonia com a natureza.

Ou seja, vai ficar tudo como está e o tomate podre vai ficar mesmo para as futuras gerações.

(Com informações de Adital)

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