Ensino, um negócio que rende mais do que o ouro


Por que a educação no Brasil vai mal? Há diversos motivos que podem ser apontados. Particularmente, penso que há dois abismos impedindo o Brasil de chegar ao outro lado e se instalar entre as nações “bem educadas”.

O primeiro abismo é o ensino público. Ele dá certo em muitos países, mas não deslancha no Brasil. Um bom exemplo disso é a Noruega, onde até os filhos da família real estudam em escolas públicas, são muito bem educados e se orgulham disso. Por aqui, não tem jeito. Há um ralo por onde escapa qualquer sonho ou projeto de alterar o quadro no sentido de melhorar a educação dos brasileiros e das brasileiras: a corrupção.

O segundo abismo é o ensino privado. No Fundamental e no Médio, escolas comunitárias têm se destacado na formação das elites, plastificando dramaticamente a formação dos líderes da nação. Mas é cada vez maior o número de diretores de escolas privadas cujo maior atributo conceitual é o da visão empresarial. E nesse espaço cabe somente o conceito do lucro.

O destaque neste conceito de escola-empresa conquistou um espaço gigantesco na formação superior no Brasil. Há mais universidades privadas do que igrejas no país, e olha que o Brasil é um dos paraísos dos evangélicos bem-sucedidos, que inclusive exporta o conceito de igreja lucrativa para outros países e continentes.

Um bom exemplo da lucratividade do ensino no Brasil chegou ao seu apogeu nesta terça-feira, com a divulgação da venda da Uniasselvi. A maior universidade privada do Vale do Itajaí surgiu no final dos anos 90, com a aposentadoria de um professor da FURB. O professor Tafner queria deixar o seu legado na formação superior no Vale e criou sua própria faculdade. Quinze anos depois, o seu sonho vira uma fortuna particular incalculável.

O hoje grupo Uniasselvi foi vendido para a Kroton Educacional pela bagatela de meio bilhão de reais. Tudo porque a universidade-empresa é o maior conglomerado de ensino a distância do Brasil, com 80 mil alunos, dos quais 60 mil no ensino a distância. O resto é sobra. Há 12 mil alunos na graduação e 10 mil na pós-graduação em seis unidades em Indaial, Blumenau, Timbó, Brusque, Guaramirim e Rio do Sul.

Sem dúvida, um belo negócio. Nem o ouro rendeu tanto em 15 anos. Qualquer empresário sonha com uma empresa assim. E se você quer ser um empresário de sucesso, se você não tem talento para ser Edir Macedo, seja um Tafner. O sucesso é garantido.

Enquanto isso, o ensino no Brasil, público ou privado, vai de mal a pior.

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