A internet é contracultura


Nesta quinta-feira, 17 de maio, é o Dia Mundial da Internet. A data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em janeiro de 2006. A mesma data também marca os dias da Sociedade da Informação e das Telecomunicações.

Uma breve passada pela história da Internet dá conta de que a rede mundial de computadores surgiu durante a Guerra Fria para fins militares. Somente em 1990 a Internet começou a alcançar a população em geral, e desde então, tem mudado os hábitos da população mundial.

Mais interessante do que isso, entretanto, é a convicção de que a internet é um grandioso espaço para a liberdade total de expressão e que traduz de forma ímpar a filosofia da Contracultura criada pelos hippies dos anos 1960. Livres para praticar a paz e o amor, os hippies sonhavam com uma nova sociedade, sem cercas, sem regras e que permitisse a cada indivíduo a total livre escolha e exercício de seus sonhos e esperanças. Acima de tudo, pregava a convivência pacífica de todas as religiões e correntes de pensamento, sem os desgastantes conflitos de ideologias que marcaram os tempos da guerra Fria.

Um dos ícones da ideologia da contracultura hippie na internet é John Perry Barlow (foto), um dos letristas da banda Grateful Dead, surgida em São Francisco, no berço do movimento hippie norte-americano. Ele foi co-autor das letras da famosa banda hippie por 24 anos.

Barlow, hoje um fazendeiro de gado aposentado, juntou-se a Mitch Kapor e John Gilmore para criar, em 1990, a Electronic Frontier Foundation (EFF), Fundação Fronteira Eletrônica. Os fundadores se conheceram pela internet.

Trata-se de uma organização sem fins lucrativos sediada em San Francisco-Califórnia, cujo objetivo declarado é proteger os direitos de liberdade de expressão no contexto da era digital. Atua na defesa das liberdades civis bem como instruir a imprensa, os legisladores e o público sobre esses direitos e suas relações com as novas tecnologias. A organização se mantém à base de doações. Além do pessoal alocado na sede, conta com representantes em Toronto e Ontário, no Canadá, e na capital Washington.

Entre as principais ações da EFF se destacam assessoria e apoio financeiro para defender em tribunais pessoas processadas por causa da internet, assessora governos e tribunais em questões que envolvem as novas tecnologias, organiza ações políticas e manifestos em defesa das liberdades na internet, apoia novas tecnologias que ajudam a preservar as liberdades individuais, monitora e questiona projetos de lei que podem violar as liberdades individuais e o uso justo, além de atuar contra abusos de patentes.

A criação da EFF foi motivada pela inspeção e invasão da Steve Jackson Games pelo serviço secreto dos Estados Unidos, no início de 1990. Na mesma época ocorreram outras batidas policiais semelhantes por todo o território americano, por uma operação denominada Operação Sundevil. O caso da Steve Jackson Games, o primeiro da EFF que chamou a atenção, marcou o início de sua atuação na defesa das liberdades civis na era digital.

John Perry Barlow é a figura emblemática da EFF e de todo o movimento. Entre outras coisas ele criou a “Declaração de Independência do Ciberespaço”, que é citada em mais de 20 mil sites (conheça aqui), lida pela primeira vez em Davos/Suíça no ano de 1996, durante o famoso Fórum Econômico Mundial. Para ler a declaração, John sobe num caixote de madeira, como se estivesse usando o púlpito do Congresso Americano, e lê o texto formalmente, como uma declaração.

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