Programado para quebrar



Como somos levados a comprar coisas que não necessitamos? Esta é, afinal, a base sobre a qual se edifica toda a economia ocidental. Repor, renovar, trocar, descartar para renovar. A economia precisa girar. Dinheiro parado é dinheiro morto. Isso sempre foi assim? Qual é a estratégia mais oculta, para fazer com que a economia cresça, não para melhorar as coisas, mas cresça por crescer; sem parar, como uma bola de neve, infinita e que não se pode parar.

O nome desta, que é uma das mais lucrativas descobertas da economia de mercado, tem o pomposo nome de obsolescência programada. Assista ao vídeo acima, de 50 minutos, e descubra o tamanho da armadilha em que estamos presos. Tudo começou com a lâmpada incandescente, essa impressionante invenção de Edison. As primeiras duravam muito. Há uma dessas lâmpadas num quartel de corpo de bombeiros, nos EUA, que funciona desde 1909. Centenas de pessoas vieram para comemorar os seus 100 anos de funcionamento. Hoje, elas duram menos de mil horas.

Depois da crise de 1929, esta metodologia de mover a economia passou a ser imposta às indústrias e aos engenheiros, que eram obrigados a reduzir a durabilidade de seus produtos sob pena de pesadas multas. Tudo para que a roda não pare de girar: comprar, descartar e comprar novamente, num moto contínuo.

E o pior: produzindo lixo, lixo e mais lixo. Muito lixo, que soterra particularmente a África em milhões de toneladas de sucata de computadores e televisores. É a obsolescência programada com a sua pior face. Veja você mesmo, com os seus próprios olhos, neste vídeo espanhol.

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