Parem o mundo que eu quero descer!


“Isso que está acontecendo no meu país me faz sofrer muito, é muito triste. Nós, os sobreviventes das bombas nucleares, lutamos pela paz e contra a energia nuclear. A radiação é a pior arma que existe. Não tem cheiro, não podemos vê-la, não tem barulho, não deixa rastro. As pessoas vão sentir seus efeitos ao longo do tempo.” Takashi Morita, 87 anos, sobrevivente de Hiroshima, que reside em São Paulo.

Em vista da catástrofe nuclear após o terremoto no Japão, as igrejas exigem o fim do uso da energia atômica. “Uma tecnologia que não perdoa erros não nos faz bem”, disse o presidente da Igreja Evangélica na Alemanha (IEA), Nikolaus Schneider. O dirigente da Conferência alemã dos bispos católicos, Robert Zollitsch, afirmou que a “energia nuclear não é energia do futuro”.

Segundo ele, são necessárias novas formas de energia que preservem o ambiente e que possam ser controladas sem riscos. Para o pastor Schneider “precisamos sair dessa forma de energia o quanto antes, pois lidamos em terreno inseguro”. Mesmo um país altamente desenvolvido tecnologicamente agora aponta que não há outra alternativa e que a “sociedade tecnológica precisa aprender a humildade, pois não domina tudo”, disse.

Para os líderes das igrejas não se trata somente de debater sobre o tempo de vida das usinas nucleares. Chegou a hora de dar um basta e de apontar todas as dramáticas consequências de se continuar utilizando esse tipo de energia. Chegou o momento de promover um “desembarque rápido” da tecnologia atômica.

O diretor do Instituto de Ciências Sociais da IEA, Dr. Gerhard Wegner, disse que essa atitude deveria basear-se num princípio ético fundamental, que diz: “Você deve correr somente aqueles riscos pelos quais você pode responsabilizar-se”. A catástrofe nuclear no Japão mostra claramente que não há seguro contra o fracasso técnico e humano.

Também o patriarca Bartholomeu I, da Igreja Ortodoxa de Constantinopla, apelou aos governos de todo o mundo para que repensem suas políticas atômicas. Entrementes começam a ser anunciados inúmeros protestos ao redor do mundo, reforçando o desembarque urgente das energias baseadas na fissão nuclear.

Eu me integro ao crescente grupo dos que querem o definitivo abandono da energia nuclear em todos os países do mundo. Aqui no Brasil, com as duas usinas de Angra mais a terceira em construção, tristemente apelidadas de “usinas vagalume”, e um projeto de construção de mais quatro novas usinas, temos que colocar um fim imediato nesses projetos. O risco é maior do que os eventuais benefícios e os custos da produção dos poucos megawatts de energia não valem o esforço. É o mesmo que pular de um avião sem pára-quedas: uma hora o chão chega perto e... quando isso acontece, no que diz respeito a energia atômica, literalmente não há o que fazer, a não ser esborrachar-se no solo e morrer.

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