Uma nova era geológica


A história do planeta Terra – que segundo os cientistas tem 4,5 bilhões de anos – é dividida em eras geológicas. Segundo tal classificação temporal, é possível estabelecer as diferentes épocas da formação geológica. Atualmente vivemos o Holoceno, que marca os últimos 12 mil anos após o fim da última Idade do Gelo, ou era Glacial, com a relativa estabilização dos níveis dos oceanos e marcada pela última grande extinção em massa de espécies que somente conhecemos a partir dos seus fósseis, como o mamute, o tigre de dente de sabre, a nossa preguiça gigante da Amazônia e muitas outras.

Um grupo de cientistas australianos e britânicos, participantes da conferência “Planet under Pressure”, em Londres, está pressionando a comunidade científica para que se anuncie a chegada de uma nova era geológica, que denominam de Antropoceno, ou “era do Homem”.

Os indicadores dessa nova era são as mudanças climáticas dramáticas que estão ocorreno no planeta por conta da ação do homem, e que são, segundo os postulantes, irreversíveis. A iniciativa também coincide com o momento em que a humanidade se prepara para fazer um balanço de duas décadas de busca de soluções para os problemas ambientais.

Para o ecologista Erle Ellis, da Universidade de Maryland, atualmente a maioria dos ecossistemas da Terra está marcada de modo indelevel pela presença humana. As alterações climáticas, a redução da população de peixes, o desmatamento de áreas cada vez mais extensas a extinção de milhares de espécies e o crescimento populacional da humanidade são indicadores incontestes da nova era geológica.

Marcar isso com clareza num calendário das idades do Planeta poderia provocar uma reviravolta na forma como a humanidade planeja a sua presença na Terra e faria aumentar as atenções para o cuidado com a sustentabilidade ambiental do planeta.

Segundo os especialistas, a humanidade atingiu um ponto em que deveria se perguntar como pretende continuar o seu futuro de relação com o planeta em que habita. Os geólogos do futuro encontrarão no último século do presente as marcas geológicas evidentes de que iniciou uma nova era geológica. Estarão marcados nos registros sedimentares da Terra a elevação drástica dos depósitos de carbono, os vestígios das metrópoles e da exploração predatória dos recursos naturais, além dos fósseis de uma era dominada pela relação do homem com animais domesticados, por exemplo.

Reconhecer a chegada do “Antropoceno” ajudaria a registrar a natureza e a extensão das mudanças em todo o planeta, causadas pela presença predatória da espécie humana sobre o planeta. Os cientistas esperam alcançar uma mudança psicológica importante no comportamento humano, gerando uma “guinada civilizatória importante”.

A nova era, presumem os cientistas, não será tão estável quanto a última, que deu origem à agricultura e à civilização humana. O antropoceno será uma era de um “mundo em descontrole”, em função de a espécie humana ter desencadeado processos mais poderosos do que a capacidade que desenvolveu para controlá-los, afirma Anthony Giddens, cientista inglês.

A conferência “Planet under Pressure” (Planeta sob Pressão), reuniu 2.800 cientistas no final de março, com o objetivo de pressionar a Rio+20 a dar passos mais ousados na busca de soluções climáticas e dar prioridade aos atuais problemas ambientais planetários.

Para Erle Ellis, a humanidade tem somente uma escolha. Administra um bom Antropoceno ou enfrenta uma série de crises que pode não ter como controlar. As recentes catrástrofes climáticas enfrentadas pelo Brasil, com deslizamentos e enchentes que batem recordes, anuncia que o momento de dar a virada já foi ultrapassado.

(Com informações de DW-world)

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