Como quebrar o ciclo do ódio 1


Foi executado com injeção letal, na noite de quarta-feira (20/07), o norte-americano Mark Stroman, de 32 anos, na penitenciária Polunsky, de Livingston-Texas. Ele foi condenado à pena capital por ter matado um indiano, um paquistanês e por ter deixado um bengali cedo após lhe dar um tiro no rosto. Ele alegou ter atacado essas pessoas por “patriotismo”, uma tentativa de vingar os norte-americanos pelo ataque às Torres Gêmeas, já que suas vítimas pareciam muçulmanas.

A irmã de Stroman morreu no atentado de 11 de setembro de 2001. Quatro dias depois, Mark matou a tiros o paquistanês Waqar Hasan, de 46 anos, que trabalhava fazendo hambúrgueres em Dallas. Seis dias depois disso, atirou no rosto de Rais Bhuiyan em um posto de gasolina da cidade. Ele sobreviveu, mas ficou cego do olho direito. No dia 4 de outubro, em outro ataque a uma loja de conveniência de um posto de gasolina no subúrbio de Mesquite, Mark matou o indiano Vasudev Patel.

“Não sou um assassino em série. Estamos em guerra. Fiz o que tinha de fazer”, disse, depois de ser preso, em 2001. Um júri o condenou à morte em abril de 2002. O caso ganhou repercussão quando a vítima sobrevivente, Rais Bhuiyan, iniciou uma campanha para tentar reverter a pena para prisão perpétua. “Eu já o havia perdoado muitos anos atrás e sabia que matá-lo não resolveria a situação, não traria nada de bom à sociedade. Se ele conseguisse retomar sua vida, talvez pudesse ajudar outras pessoas em situações parecidas”, disse ele.

Bhuiyan recebeu apoio das famílias das outras vítimas e criou um blog para divulgar a idéia. “Estou aqui para construir uma ponte entre a vítima e o agressor, para quebrar esse ciclo de ódio”, disse ele.

Em entrevistas concedidas nos últimos dias, Mark Stroman mostrou sinais de arrependimento. “Eu era um idiota ignorante na época e agora sou um ser humano que entende melhor as coisas”, disse ele à BBC uma semana atrás (na foto ele aparece dando a entrevista à BBC por telefone). “Não importa o que eu faça ou diga, nada vai mudar o fato de, inclusive, você passar a ver os muçulmanos como suspeitos”, lamentou.

Apesar do esforço de Rais Bhuiyan, o governo do Texas não retrocedeu e manteve a pena de morte. Rick Perry, governador do Texas, é conhecido por sua inflexibilidade diante das sentenças. Na semana passada, o mexicano Humberto Leal Garcia também teve a pena de morte mantida e foi executado, mesmo depois de pedidos do presidente Barack Obama, do governo do México e da ONU (Organização das Nações Unidas). A condenação violava tratados internacionais porque, em sua prisão, as autoridades policiais do Texas não avisaram Leal Garcia sobre seu direito a assistência consular, prejudicando sua defesa.

(Fonte: Opera Mundi)

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