Ninguém assume a culpa


É sempre a mesma coisa. O culpado sempre é o outro. A Airbus (empresa construtora de aviões) e a Air France (companhia aérea que perdeu um Airbus com a queda do voo AF 447) acabam de desencadear uma guerra de versões sobre quem é culpado pela morte das 228 pessoas a bordo daquele voo. Enquanto o discurso do fabricante reitera que “não há mais dúvidas” sobre a culpa dos pilotos, a companhia aérea frisa que ao longo dos três minutos de queda o trabalho dos pilotos foi dificultado por informações eletrônicas contraditórias.

Fatos sempre geram versões e estas sempre envolvem interesses. Isso é assim desde Adão e Eva no paraíso: Adão culpou Eva, esta culpou a serpente. No caso do acidente, é cômodo acusar os pilotos. Eles fazem parte dos 228 mortos e, portanto, não podem defender-se. Como é difícil assumir os próprios erros. Por isso, quando os que conduzem os rumos deste mundo dizem estar no comando, não acredite, porque eles não estão no comando. Aliás, eles mal sabem o que estão fazendo no posto do timoneiro. A nave sem rumo vai para o precipício. E ninguém assumirá a culpa pelo desastre inevitável...

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