Guernica, o horror das guerras


Em 12 de julho de 1937 a tela “Guernica”, uma das mais conhecidas obras do pintor espanhol Pablo Picasso e uma das mais famosas pinturas do mundo, foi exposta ao público pela primeira vez. O quadro foi exibido no pavilhão da República Espanhola na Exposição Internacional de Paris, onde Picasso vivia exilado. Nela o famoso pintor cubista retratou o bombardeio da vila basca pelos nazistas no dia 26 de abril do mesmo ano. Hitler, então no início de sua trajetória ensandecida, atacou a pequena cidade com a Luftwaffe para ajudar Francisco Franco a assumir o poder da nação em guerra civil. O resultado foi um massacre, com centenas de mortos. Picasso retratou o fato em preto e branco, nessa tela que é um grito contra todas as guerras.

A vila de Guernica tinha 5 mil habitantes e foi completamente destruída pelos 250 quilos de explosivos e bombas incendiárias atirados pelos nazistas. Embora os alemães negassem sua participação nos bombardeios, alegando tratar-se de “antipropaganda da imprensa judaica”, testemunhas haviam identificado as suásticas pintados nos aviões. Hitler, aliado de Franco, aproveitou a oportunidade para testar a capacidade da Luftwaffe.

O horror do ataque foi fixado em óleo sobre tela por Picasso no famoso quadro de mais de três metros de altura por sete de largura. Representa a expressão máxima do impacto devastador dos armamentos modernos de guerra sobre suas vítimas em todas as partes do mundo e a desgraça que provoca um tal ataque sobre a população civil. Jamais na história uma obra de arte havia retratado a guerra de forma tão exemplar. Picasso desistiu de forma consciente do uso de símbolos políticos, mesmo assim a enorme tela conseguiu transmitir a angústia da população e o poder de destruição da força militar. Ao visitar a exposição, um oficial da SS teria perguntado a Picasso: “Você fez isso?”, ao que Picasso respondeu: “Não, você!”.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O ócio e o negócio

O boato do filme Corpus Christi

Origem do termo “América Latina”