O último pouso


Guarde bem esta imagem. É a última de uma saga de 30 anos. Muitos defeitos, mortes, explosões e interrupções de última hora depois, os ônibus espaciais da NASA entram para a história da humanidade como um importante capítulo da aventura espacial humana. A nave Atlantis pousou hoje de manhã (6h57min), depois de sua última missão ao espaço. Era a última nave do tipo retornável em circulação. A última caravela do século 20 volta ao seu porto derradeiro. É quase como um velho ônibus urbano que, depois de décadas de transporte diário de passageiros, é estacionado na garagem em definitivo.

Os ônibus espaciais nos ajudaram a montar no espaço alguns óculos que nos ajudaram a ver mais longe... bem mais longe. Muitas fotos depois, ainda estamos sozinhos no universo conhecido. Descobrimos, sobretudo, que o nosso planeta, que parece tão gigante e inesgotável daqui do chão, na verdade não passa de uma pequena bola, frágil e delicada, visto da janela do ônibus espacial. E é assim que é a nossa Terra, a nossa casa no Universo. Ela é a nossa única casa.

Apesar dos 30 anos, ainda não despertamos muito mais do que curiosidade sobre o que nos cerca. Devíamos ter aprendido que o planeta-aeroporto da Atlantis, da Columbia, da Chalanger, e de muitas outras naves que ainda voltarão a ele, é na verdade a nossa única casa na imensidão que sondamos. Devíamos ter aprendido a cuidar mais dela. Mas parece que não.

A Atlantis vai para o museu sem nos ensinar a lição essencial. E o tempo vai passando. Talvez ainda a aprendamos, antes que nossas naves não tenham mais onde pousar quando retornarem de suas missões que tanto aplacam a nossa curiosidade.

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