Metodistas confessantes

Os jovens metodistas protestaram na rua e na plenária do 18º Concílio Metodista, em 2006.

No período – de triste lembrança e dramáticas consequências – em que o Nazismo imperou na Alemanha (1933-1945), não se submeter à tirania do Estado era, além de um ato de extrema coragem e heroísmo, uma condenação quase certa à morte. O terror de estado garantiu a adesão das massas. Até mesmo a Igreja submeteu-se oficialmente, tanto a católica quanto a protestante. Nos anos áureos da ditadura de Hitler não era incomum ver sacerdotes e pastores ao lado dos garbosos uniformes decorados com a suástica onipresente.

Um pequeno grupo de pastores luteranos, entretanto, ousou corajosamente nadar contra a forte correnteza do III Reich, por considerar que o caminho de ódio e perseguição oficializado pelo governo não condizia com o conteúdo do Evangelho. Em oposição à igreja oficial, este grupo fundou a “Bekennende Kirche” (Igreja Confessante). O grupo cresceu rapidamente, não só no número de adesões, mas na ousadia de suas iniciativas de protesto.

Vale lembrar que um dos expoentes deste grupo era o pastor Dietrich Bonhoeffer, que foi enforcado no campo de concentração de Flossenbürg no dia 9 de abril de 1945 (e não em Berlim, como afirma a Wikipédia), poucos dias antes do final da guerra, como inimigo pessoal do Führer. Entre outros atos contra o regime, ele havia sido contra-expião dos aliados e participou de um atentado frustrado contra Hitler.

O heróico exemplo da “Bekennende Kirche” serviu de inspiração para um grupo de 175 pessoas da Igreja Metodista do Brasil, que fundaram o grupo dos “Metodistas Confessantes”. O grupo de leigos e clérigos metodistas surgiu logo após o final do 18º Concílio da Igreja Metodista, de 10 a 16 de julho de 2006. Qual é a sua luta? Eles se opõem à decisão daquele concílio de que a Igreja Metodista deve retirar-se de todos os organismos ecumênicos de que participa em que tenha também a participação da Igreja Católica Romana.

Apenas para lembrar o dramático peso daquela decisão conciliar, na época os metodistas ocupavam a secretaria executiva do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs-CONIC, entidade ecumênica brasileira que tinha no pastor metodista Western Clay Peixoto o seu secretário executivo. Por causa da decisão conciliar, Peixoto abdicou da secretaria executiva do CONIC.

Os metodistas confessantes foram criados como um movimento que se opõe à idéia do episcopado vitalício e que defende o princípio do sacerdócio universal de todos os crentes, como antídoto ao culto à personalidade. Também defendem os direitos humanos, ampliar a participação das mulheres na igreja e fora dela, bem como lembrar dos pobres. Defende também o ecumenismo como espaço de afirmação e busca da paz.

Em seu pedido ao 19º Concílio o grupo afirma a incapacidade de obedecer à decisão do 18° Concílio Geral por causa da “liberdade à qual somos chamados e que em Cristo nos foi outorgada”. No documento encaminhado à Igreja, o grupo informa que muitos pastores e pastoras não assinaram por medo de represálias que ocorrem em algumas regiões eclesiásticas da denominação.

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