Ajuda humanitária interesseira


A luta contra a fome é uma bandeira que praticamente todos levantam. Entretanto, muitos dos que dizem querer ajudar na verdade se beneficiam da miséria alheia. Dois anos após o terremoto, o Haiti é o bom exemplo disso. A política assistencialista que é praticada naquele país miserável traz lucro para os países desenvolvidos e prejudica os pequenos agricultores locais – justamente as vítimas da fome.

Essa é a avaliação do diplomata Jean Feyder, de Luxemburgo, que é presidente da ONU para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). Em seu livro Mordshunger (em tradução livre “Fome Assassina”), Feyder retrata o drama haitiano. Até três décadas passadas, os agricultores do país produziam arroz suficiente para a população.

O Haiti foi então obrigado a reduzir suas taxas de importação de 50% para 3%. Alimentos subvencionados importados dos Estados Unidos arruinaram a agricultura local. Os produtores perderam seu meio de subsistência e cada vez mais pessoas começaram a passar fome. Hoje o Haiti importa 80% de todo o arroz que consome direto dos EUA. E essa mesma política está sendo aplicada em muitos outros países, preferencialmente entre os mais pobres do planeta.

Hoje esses países são dependentes da ajuda humanitária que beneficia mais os agricultores que doam do que aqueles que recebem. É uma doação interesseira, que ajuda os países produtores a se livrarem de seus excedentes agrícolas, denuncia Feyder.

Desiludido, o economista queniano James Shikwati pede o fim da ajuda ao desenvolvimento. De acordo com suas convicções, essa ajuda serve principalmente aos interesses políticos dos doadores. Na África, quem mais se beneficia da ajuda humanitária são os governos corruptos. A dependência foi aprofundada.

Fontes: www.teleios.com.br e dw-world.de

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