Uma potência da paz é possível


O diálogo inter-religioso entre cristãos e muçulmanos pode conduzir a uma “Potência da Paz”. Esta é a visão do bispo luterano Markus Dröge, de Berlim. Dez anos após o ataque às torres gêmeas em Nova York os fiéis das duas religiões deveriam reconhecer como tarefa comum “opor-se à instrumentalização da fé para a promoção do terror e da violência”, disse o bispo durante palestra na Universidade Humbold, na capital alemã.

A terminologia “Potência da Paz” certamente se opõe à conhecida expressão “Potência Bélica”, que confronta as nações a partir do seu estoque de armas e de sua capacidade tecnológica em desenvolver armas mais eficientes e de maior poder de fogo, que têm a óbvia intenção de intimidar os vizinhos e os países que se oponham às políticas internas.

Não raro, tal potencial bélico é aliado a fortes argumentos religiosos, que confrontam a interpretação da “verdade”, quase sempre condenando a “verdade” do outro e combatendo-a com meios promocionais e recheados de violência. Se os argumentos bélicos e provocativos são afastados, o resultado pode ser, sim, o surgimento de uma “Potência da Paz”. Ou seja, quando a belicosidade se transforma em diálogo, o conflito diminui e as armas perdem o seu papel.

Para o bispo berlinense, as igrejas da Reforma têm um papel fundamental na busca do diálogo que construa tal “Potência da Paz”. Dröge espera que a igreja protestante seja capaz de desenvolver uma “Teologia do Diálogo”, que ajude a promover o papo franco e aberto com outras religiões. Seriam pressupostos desse diálogo que cristãos e muçulmanos reconheçam conquistas já feitas pela sociedade, como a separação entre estado e religião, os direitos humanos, e a disposição para a comunicação franca e aberta, que inclui inclusive o aprendizado da língua pelos envolvidos no diálogo.

De certo modo, a polêmica campanha da Benetton, em que conhecidos opositores das “Potências Bélicas” (inclusive a igreja entre elas) se beijam num insólito ósculo reconciliador, não é de modo algum ofensiva. Ela bota o dedo na moleira. Chama às falas aqueles que podem arriar armas e assumir uma postura de paz e diálogo como ponto de partida.

Bem que uma teologia do diálogo poderia construir as bases para o sonho de paz da Benetton...

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