A semente caiu em solo fértil


Eu não acreditei nos meus ouvidos quando ouvi, ontem pela manhã, o Alexandre Garcia alinhavando inúmeras razões para justificar o surto psicótico de Michel Goldfarb Costa em São Paulo, no dia 9 de janeiro. Insegurança pública, problemas com o seu carro blindado, escola pública ruim para os seus filhos, instabilidade econômica, um governo corrupto e dezenas de outras razões foram alinhavadas pelo jornalista queridinho da classe média e deformador de opinião.

Tudo bem, o jovem (34 anos!), sem emprego (por opção dele), de poucos amigos (porque não gosta de gente), com cara de quem é incapaz de conviver com qualquer tipo de frustração (nunca aprendeu isso) e que faz qualquer coisa para impor as suas vontades (atirar, intimidar e furtar carros em plena luz do dia), pediu perdão às suas vítimas. Mas não porque está arrependido, ou isso seria o mínimo que se deveria esperar dele. O seu pedido é mais uma de suas chantagens. Desta vez, para tentar livrar a cara depois de toda a lambança que fez.

Agora, querer fundir nele as razões do filme Dia de Fúria, e justificar a psicose de Michel com isso, chega a beirar o sarcasmo. Michel não deveria nem ter carteira de motorista. Mas tem colete a prova de balas, arma, munição, advogados e todos os privilégios que o dinheiro pode comprar. Por isso, ele teve um “surto psicótico”. Qualquer outro brasileiro do andar de baixo da pirâmide social não teria tanta compreensão de parte de Alexandre Garcia, da polícia ou de qualquer outro. Seria tratado, simplesmente, por “bandido”.

Aliás, a contribuição de Alexandre Garcia no surto psicótico de Michel Goldfarb (cor de ouro!!!) Costa é flagrante. Todos os dias ele enche nossos ouvidos com o pavor da falta de segurança em que vivemos. A semente dele vingou. Caiu em solo fértil. E virão outros que se inspirarão no filme Dia de Fúria. É só esperar.

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