Movimentações "atípicas"?


Quando o presidente Lula disse que o judiciário brasileiro é uma grande caixa preta que precisa ser aberta, quase o lincharam. Os juízes e a mídia o cobriram de pancada. Mas ele estava com a razão. E a grande oportunidade de abrir essa caixa preta está sendo dada agora, com o relatório do Coaf, um órgão de inteligência financeira do Ministério da Fazenda, revela que 3.426 magistrados e servidores do Judiciário fizeram movimentações consideradas “atípicas” (que boazinha esta palavra!) no valor de R$ 855 milhões entre 2000 e 2010 (informação do JB).

Segundo o relatório do Coaf, 81,7% dessas movimentações “atípicas” se concentram no Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro, no Tribunal de Justiça da Bahia e no Tribunal de Justiça Militar de São Paulo. Segundo o relatório duas pessoas ligadas aos tribunais de São Paulo movimentaram sozinhas R$ 116,5 milhões em um único ano (2008)!

Em qualquer democracia do mundo, o Poder Judiciário não pode tolerar suspeitas sobre a conduta de seus integrantes. Simplesmente porque derruba um dos pilares da democracia, porque o cidadão comum espera do juiz um comportamento irepreensível, transparente e sobretudo marcado pela ética. Por isso, causa perplexidade saber que tanta gente está metida em transações “atípicas” (por que não classificá-las de ilegais, imorais, antiéticas?) em suas contas bancárias. Venham a público explicar-se! Caso contrário, Lula tinha toda a razão no que disse quando era presidente.

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