Vale é pior empresa do planeta


Em disputa acirrada com a japonesa Tepco, responsável pelo desastre nuclear de Fukushima, a multinacional Empresa Vale do Rio Doce, a maior mineradora de ferro do mundo, presente em 38 países, venceu o Public Eye Awards, o “Nobel” da vergonha empresarial.

O prêmio, introduzido em 2000 pelo Greenpeace Suíça e Declaração de Berna, é concedido por voto popular a empresas que atentam contra cuidados ambientais, sociais e trabalhistas. A escolha acontece no período do Fórum Econômico Mundial, reunido na cidade suíça de Davos. Além da Tepco e da Vale, disputavam o prêmio as empresas Barclays, Freeport, Samsung e Syngenta.

A candidatura da Vale ao “prêmio” de pior empresa do planeta foi apresentada pela Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale, representada pela brasileira Rede Justiça nos Trilhos.

A Vale tem três projetos de mineração dentro de Florestas Nacionais (Flonas, unidades de conservação que deveriam ser protegidas). O maior deles, em termos de investimentos, de 8 bilhões de dólares, está dentro da Floresta Nacional de Carajás, no Pará, onde a empresa quer explorar 90 milhões de toneladas/ano de minério de ferro.

O projeto Serra Norte, também dentro de Flona, explora cerca de 100 milhões de toneladas/ano, segundo a Rede Justiça nos Trilhos. E o terceiro projeto, o Salobo, situa-se na Floresta Nacional Tapirapé-Aquiri, no extremo oeste de Marabá, atingindo a nascente do igarapé Salobo e toda a sua porção superior da bacia, causando impacto, quando implantado, na poluição do rio Itacaiunas e nos igarapés Cinzento e Salobo.

Em Minas Gerais, aponta a Rede Justiça nos Trilhos, a mina Capão Xavier, da Vale do Rio Doce, está localizada sobre um aquífero que beneficia mais de 300 mil pessoas. As águas do manancial de Fechos terão sua vazão natural reduzida em 40%. Em Itabira, também em Minas Gerais, berço da empresa, a Vale foi processada pelo município por danos ambientais e sociais causados pelas operações de minério de ferro na região. O município alega prejuízos de 868 milhões de dólares.

Justiça nos Trilhos argumentou que a Vale do Rio Doce está impedindo que as comunidades tradicionais quilombolas de Santa Rosa dos Pretos e Monge Belo, em Itapecuru-Mirim, no Maranhão, tenham a propriedade coletiva de suas terras demarcadas pelo Estado. A Vale quer, assim, facilitar o trânsito na área de suas máquinas e trabalhadores nas obras de duplicação da Estrada de Ferro Carajás, atualmente em curso.

A Justiça Federal condenou a Vale, em abril de 2011, de acordo com o site Justiça nos Trilhos, a pagar mensalmente valores entre um a três salários mínimos às 788 famílias quilombolas de Jambuçu, no município de Moju, a 83 Km de Belém, no Pará. Passa pelo local um minerioduto de 244 quilômetros de extensão da empresa, que transporta bauxita de Paragominas até Barcarena, próximo a Belém, onde funciona a Alumina do Norte do Brasil (Alunorte), subsidiária da Vale.

Em 2008, a Justiça condenou a Vale ao pagamento de mais de 650 mil reais por mês (cerca de 361 mil dólares) aos povos indígenas Xikrin que vivem próximos à província mineral de Carajás, por extração de minérios em terras desses povos.

Em Moçambique, denunciou o Centro Moçambicano de Integridade Pública, a Vale desenvolve megaprojetos de mineração em Moma e Moatize, norte e centro do país, que já expulsaram cerca de 760 famílias camponesas de suas comunidades, entre novembro de 2009 a abril de 2010, para dar lugar à abertura de minas de carvão.

A entrada da Vale no Consórcio Norte Energia SA, que vai construir a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Xingu, foi fator determinante para a inclusão da empresa na lista das seis finalistas do Public Eye de 2012, disseram organizadores do prêmio.

Fonte: ALC

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