Ex-favelada na presidência da Petrobrás


A nova presidenta da Petrobrás, Graça Foster, nasceu numa favela. Sua infância foi vivida no Morro do Adeus, no Rio de Janeiro, que hoje integra o Complexo do Alemão. Até os 12 anos, ela catou papel e lata na rua para custear os estudos, como narrou recentemente em entrevista ao jornal Valor. Há mais de três décadas na Petrobrás, Graça sucederá José Sérgio Gabrielli.

Sua impressionante escalada dentro da empresa merece ainda mais destaque num país que não acredita em gente que vem tão de baixo. Esse Brasil humilhado, tratado como bandido, visto como gente inútil, grita bem alto em Pinheirinho, por exemplo, onde quase seis mil pessoas foram violentamente despejadas neste domingo, em São José dos Campos (SP). Se quiserem, podem pegar seus cacarecos e levar a um outro endereço, desde que o tenham...

No momento em que a truculência do dinheiro e o menosprezo conservador pelos excluídos produz uma tríplice aliança entre o poder judicial paulista, o governo do Estado e a administração tucana de São José dos Campos, é valioso saber que dentro do governo existem olhos e ouvidos que sabem onde o Brasil grita.

Diante do arrasa-terra em Pinheirinho, a nomeação de Graça Foster é uma boa notícia. É uma forma velada de defender as meninas pobres que ainda catam papel e lata nas ruas do país. Entre elas é bem possível que haja muitas lideranças femininas brilhantes. Enquanto julgarmos que suas mãos sujas de revirar lixo à cata do precioso alumínio as torna indignas de uma espaço melhor sob o sol, o Brasil será um arremedo de justiça social.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O ócio e o negócio

O boato do filme Corpus Christi

Origem do termo “América Latina”