Morre Millôr Fernandes


Millôr se foi, nesta manhã. É mais uma brecha de pura genialidade que se fecha no país da mediocridade. Ele era simplesmente o melhor na arte da ironia fina, da síntese perfeita e do humor contextualizado. Ele pegava pesado pegando leve... Frasista como nunca houve outro, ele sabia dizer tudo no mínimo.

Uma das coisas mais espetaculares que aprendi com o gênio Millôr Fernandes foi a serenidade de perceber que a crítica não muda o mundo, mas o transforma em algo que pode ser revisto, avaliado. E ele o fazia com humor. Seus espetaculares hai-kais descreviam o nosso tempo com a precisão necessária e hilária. Nos fazia rir da própria desgraça. O que ele conseguia dizer com poucas palavras fazia análises que se diluem demais em longos textos e teses acadêmicas. Uma dezena de palavras bastava para uma análise que ia direto ao ponto; atingia o âmago.

Fica a sua magistral lição: "O último refúgio do oprimido é a ironia, e nenhum tirano, por mais violento que seja, escapa a ela. O tirano pode evitar uma fotografia, não pode impedir uma caricatura. A mordaça aumenta a mordacidade."

Comentários

  1. Genial, o Millôr e teu texto sobre ele. Coloquei no Facebook. Esse país precisa de inteligência e uma pitada de fina ironia.

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