Propaganda sacana



Um vídeo viral produzido pela Comissão Europeia foi tirado do ar por ter sido considerado racista. A peça mostra uma mulher representando a União Europeia (UE), vestida de Beatrix Kiddo, a protagonista do filme “Kill Bill”, sendo ameaçada por um negro capoeirista, por um lutador de kung fu e por um mestre de artes maciais (kalaripayattu). Estes últimos personagens representariam o Brasil, a China e a Índia, países emergentes que representam sério risco para a Zona do Euro por conta de sua economia crescente. A mulher protagonista se multiplica por 12, fazendo referência à bandeira da União Europeia, e derrota os homens que a ameaçaram. Os “inimigos” não chegam a lutar e abaixam suas armas.

Outros episódios recentes evidenciam a mesma tendência na União Européia, onde se teme o crescimento econômico desses países em detrimento da qualidade de vida no continente. Num deles, a chanceler alemã Angela Merkel insinuou que o Brasil e outros emergentes tinham a obrigação de ajudar a Zona do Euro a sair da crise porque as dificuldades no continente representariam a redução do mercado para os emergentes e acabaria prejudicando seus negócios na Europa.

Nenhuma palavra sobre a redução da pobreza no Brasil e na Índia, ou sobre o fato de a China ter um sexto da humanidade para alimentar. O que importa, para os europeus, é não perder os privilégios (gigantescos!) de que desfrutam.

Também não se diz nenhuma palavra sobre os séculos de exploração desses países que finalmente conseguem sair da lama. Brasil (e toda a América Latina), Índia e China (e toda a Ásia) contribuíram com seu próprio sangue para construir a riqueza e os privilégios (gigantescos!) de que a Europa usufrui até os dias de hoje.

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