Desmond Tutu faz 80 anos hoje


Hoje Desmond Tutu completa 80 anos. O Prêmio Nobel da Paz por causa de sua luta contra o apartheid é um herói na África do Sul. Negro, sacerdote anglicano e militante contra o racismo, ele foi parceiro de primeira hora de Nelson Mandela e outros, na luta por uma África do Sul livre do regime que dividia o país em brancos (ricos e cheios de privilégios) e negros (a maioria pobre e recolhida a bairros que eram como guetos.

Desde jovem, em suas manifestações, ele era conhecido como o herói estridente por jamais calar-se. Enquanto é cômico por um lado, é uma instância moral pelo outro. Suas pregações e discursos costumam ser expressivos, quase sempre iniciados com alguma piada de um vasto repertório que quase sempre resvala para os tempos do racismo do apartheid.

“Por vezes estridente, por vezes afetuoso, jamais ansioso e raramente sem humor, Tutu tem emprestado sua voz desde sempre àqueles que não têm voz”, definiu Nelson Mandela. Ele próprio já não pensa assim e define suas palavras por vezes duras demais como “reflexões de um decrépito”.

Ele jamais se cala quando algo duro precisa ser dito. Foi assim há poucos dias, por exemplo, durante a execução de Troy Davis ou quando o governo impediu seu amigo Dalai Lama de participar da festa de aniversário dos seus 80 anos. Não se conteve e pediu aos políticos do seu país para que vendessem suas “carroças de luxo” e finalmente se importassem com os pobres. Às vésperas da Copa do Mundo, no ano passado, ele não se calou e exibiu uma imagem deprimente do seu país ao mundo, mostrando a violência e a corrupção.

Desmod Mpilo Tutu foi nomeado o primeiro decano da catedral anglicana de Johanesburgo em 1975 e, pouco tempo depois, virou secretário geral do Conselho Sul Africano de Igrejas. E ele não se fez de rogado para revelar o drama da discriminação em seu país ao mundo inteiro. Ele conduziu pessoalmente marchas de protesto, foi ameaçado de morte, e o regime suspendeu o seu passaporte. A sua luta corajosa e baseada nos princípios cristãos da igualdade e da paz lhe valeu o Nobel da Paz em 1984. Dois anos depois ele foi nomeado arcebispo anglicano da Cidade do Cabo, aposentando-se dez anos depois. E o aposentado não parou, assumindo a presidência da Comissão que tratou dos crimes do apartheid. Ele também foi um importante interlocutor ecumênico no Conselho Mundial de Igrejas e amigo pessoal do Dalai Lama.

Quando foi diagnosticado com câncer de próstata, ele brincou: “Quando se ouviu lá no céu que eu viria, eles disseram: Não esse sujeito! Segurem-no lá embaixo, porque não daremos conta dele de jeito nenhum!”

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