Na contramão da história

As centrais de Angra I (à direita) e Angra II representam alto risco e produzem somente 3% do total da energia consumida no Brasil.

O Brasil planeja expandir a sua política de energia nuclear com a construção de cinco novas centrais, que devem juntar-se às duas que já estão em funcionamento. O programa será mantido, apesar do acidente ocorrido na usina japonesa no início do ano. O anúncio foi feito no dia 26 de outubro pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

“A pesar dos recentes episódios no Japão, Brasil mantém sua política de expansão do programa nuclear”, declarou o ministro, num ato solene no Rio de Janeiro. A surpreendente decisão do Ministério das Minas e Energia ignora também a decisão da Alemanha de desativar todas as suas centrais nucleares em 20 anos, e ignorando também que o programa nuclear brasileiro depende tecnologicamente em sua quase totalidade da tecnologia alemã.

O Brasil, que junto com a Argentina são os únicos países da América do Sul que dispõem de plantas de energia nuclear civil, atualmente tem em operação duas centrais: Angra I (com uma produção de 657 MW), inaugurada em 1985, e Angra II (1.350 MW), em 2001.

As duas “jóias” da coroa radioativa brasileira, entretanto, são conhecidas como usinas vaga-lume, por causa do tempo que passam desligadas em função de defeitos e problemas. Além disso, respondem somente por míseros 3% da produção energética do país, deixando óbvio que não compensam o risco que representam em caso de um acidente nuclear.

Apesar de tudo o que vem ocorrendo no mundo em relação à energia nuclear, o Brasil insiste em dirigir seu veículo energético na contramão da história. “Estamos construindo uma terceira (central) e temos projetos de construir mais quatro. E ainda temos a possibilidade de construir outras no território nacional”, afirmou Lobão sem antecipar datas.

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