Um imposto para a agiotagem


O recém-eleito bispo luterano da Baviera, professor Dr. Heinrich Bedford-Strohm, declarou em entrevista coletiva que é a favor da introdução urgente de um imposto sobre transações financeiras na Alemanha. Ao seu lado, durante a coletiva, o presidente da Ação Diacônia da Baviera, Michael Bammessel, afirmou que o novo imposto é uma “questão de justiça”.

Para o futuro bispo luterano, o novo imposto iria minimizar a dissociação entre o mercado financeiro e a economia real, contribuindo ao mesmo tempo para levantar recursos importantes para aplicação em justiça social e sustentabilidade ecológica.

É uma questão na qual a igreja e os cristãos devem envolver-se, por se tratar de uma questão de claras dimensões éticas. Devem promover abaixo-assinados e outras ações que levem a um sistema econômico mais justo. Segundo Bedford-Strohm, os cristãos têm o dever de engajar-se como atores da sociedade civil democrática em questões centrais da humanidade e na busca por soluções eticamente responsáveis.

Para Michael Bammessel, presidente da Ação Diacônica da Baviera, não é concebível que os cidadãos devem pagar impostos sobre cada compra que realizam, enquanto os negócios com produtos financeiros estão livres de impostos. “Os lucros gigantescos do supermercado dos produtos financeiros até agora não contribuíram em nada para financiar as necessárias tarefas do nosso Estado”, lascou ele na entrevista.

Está na hora de o mercado financeiro arcar um pouco com as conseqüências de crise que ele próprio criou, sem ter que pagar nada por isso. A conta para superar a crise européia deve ser cobrada do mercado financeiro e não do cidadão comum, que já tem pago demais a conta de manter o Estado. “Não podemos continuar a privatizar os lucros e a socializar as perdas, empurrando-as para a coletividade”, disse Bammessel.

É óbvio que um imposto sobre transações financeiras, por si só, não resolverá os graves problemas da crise em que a Europa se meteu. Mas ela será uma contribuição decisiva no sentido de envolver no processo do resgate os principais causadores da crise, portanto, questão de justiça. É o começo de um raciocínio diferente e mais responsável. No mundo inteiro, a agiotagem praticada pelo mercado financeiro tem o beneplácito da lei e a benevolência do fisco. Está mais do que na hora de nos envolvermos na busca de alternativas mais justas. E isso também diz respeito à nossa fé como cristãos num mundo diferente e mais justo para todos.

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