Kraftwerk em tecnologia 3D


No início dos anos 1970, quatro jovens de Düsseldorf-Alemanha revelaram uma nova forma de cultura pop, que era muito diferente da música rock que se fazia na época. Krafwerk (Usina de força) era o nome da banda. Era um som para curtir sentado entre as caixas de som estereo ou com o fone de ouvido (tamanho capacete!) bem colado nas orelhas.

Não havia guitarras, mas sons tirados do órgão eletrônico, da voz distorcida, da visão futurista de um mundo robotizado, num clima de ficção científica impressionante, com uma estética mais científica do que musical. Eles faziam música com o eco eletrônico de estúdio, batidas secas de estampidos sintéticos e vozes metalizadas. Passavam horas, dias, meses no estúdio, pesquisando e montando combinações de sons inusitados e espaciais. A música “Autobahn” era uma viagem eletrônica pelas autoestradas alemãs, as melhores do mundo.

Mas não era somente o som. Os rapazes se esforçavam para ligar seus sons a imagens. Eles subiam no palco como robôs, mal se mexiam. Nenhuma expressão facial, ou os famosos contorcionismos dos Stones. Tudo paradaço, com movimentos de robocop. Desde o começo, a história do Kraftwerk esteve ligada ao desenvolvimento das mais modernas tecnologias, sempre com muita encenação. O que mais impressiona em toda a sua obra é a coerência conceitual do seu trabalho, que ultrapassa as fronteiras do pop e se aproxima de movimentos artísticos como o construtivismo.

Pois essa trilha aberta pelo Kraftwerk conquistou milhões de fãs pelo mundo e continua fascinando. A banda, ainda intacta depois de todos esses anos de estúdio, agora está expondo seu trabalho em Munique, capital da Baviera, numa videoinstalação com o nome de Kraftwerk 3D. Pela primeira vez, o mundo visual e acústico programado pelo Kraftwerk pode ser visto fora dos palcos num ambiente em que você mergulha, que é gerado através da tecnologia 3D.

A videoinstalação foi inaugurada no último sábado 15 de outubro e permanecerá até 13 de novembro no espaço de exposições Kunstbau, anexo ao museu Lenbachhaus. Antes da exposição, a banda fez três shows com lotação esgotada, que deviam ser assistidos com óculos 3D. Veja, no vídeo abaixo, um pouco do espetacular trabalho dessa banda de mais de 40 anos de estrada.

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