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O dia 8 de agosto de 2011 pode entrar para a história como mais uma data decisiva. A partir de hoje, o mundo pode mudar de forma tão radical, que haverá um antes e um depois de 8 de agosto.

Explico. Até ontem, estavam em vigor três leis não escritas, que sempre soaram quase como mandamentos em um decálogo. Todo mundo se curvava diante delas e elas eram intocáveis e inquestionáveis. A primeira delas determinava que os EUA eram a superpotência da economia mundial. A segunda dizia que o dólar era a moeda de reserva mais confiável para todos os países do planeta. A terceira dizia que os títulos do governo americano eram os papéis mais seguros do mundo para se investir. Todo mundo acreditava cegamente nessas três regras tácitas da economia mundial.

Pois todas as três caíram neste final de semana, depois que o edifício todo já balançava há várias semanas. A maior agência de classificação financeira do mundo rebaixou essa confiança nos papéis americanos, que passaram de AAA para AA+. Os EU eram, durante mais de um século, a estrela-guia da economia mundial. Pois esta estrela começa a dar sinais claros de que seu brilho empalidece rapidamente. Por isso, a reclassificação, que deixa claro que o crédito dos EUA não é mais algo em que se possa confiar cegamente, sem restrições. Embora a reclassificação não pareça tão dramática, em se tratando dos EUA ela é o mesmo que uma dramática queda, representando literalmente um novo quadro para a economia mundial.

E a pintura apresenta tons dramáticos. Simplificando, a reclassificação aumenta os juros da dívida americana, o que torna a consolidação das finanças públicas ainda mais difícil. Para o resto do mundo, isso significa turbulências no mercado, pelas próximas semanas, meses e, talvez, anos. A longo prazo, porém, o tombo da maior economia do século muda todo o cenário das finanças mundiais. Porque a crise não é só americana, mas europeia e mundial.

O fim de uma estrela, em astrofísica, significa o inevitável surgimento de um buraco negro. Ele suga tudo que está dentro do seu campo magnético. E, infelizmente, todos nós estamos dentro do campo magnético da economia americana. O que nos espera do outro lado, depois da passagem pelo buraco, é um mistério.

Por isso, guarde bem a data de hoje. Todas as bolsas asiáticas abriram em baixa no pregão dessa segunda-feira, 8 de agosto de 2011. Só as próximas horas vão dizer se, de fato, teremos uma segunda-feira “negra” para os mercados mundiais. E tudo indica que alguém como eu, que viveu a queda do muro de Berlim e o fim da União Soviética, esteja vivendo também o fim da economia ocidental capitalista, tão endeusada por muitos como a única saída para o mundo. Eu acho que o colapso já se instalou e sua reversão é impossível. Tem tudo para sobrar também para o Brasil, que tanto festejou os poucos anos de fartura que viveu recentemente...

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