Philip Potter, ícone do ecumenismo


Desde sua fundação em 1948, o Conselho Mundial de Igrejas teve nove assembleias gerais e somente um homem participou de todas elas. Este homem é Philip Potter, que completou 90 anos no dia 19 de agosto último. Ele foi o primeiro secretário-geral do CMI, de 1972 a 1984, com origem no terceiro mundo.

Philip Potter é nascido no Caribe, na ilha de Domênica, onde iniciou sua carreira ecumênica já na infância. Seu avô, fervoroso católico, o levava às missas nos domingos, enquanto sua mãe era metodista convertida. O nome ele herdou de um bispo católico, e barreiras confessionais ele já considerava estranhas naquele tempo: “Durante seis dias da semana nós fazíamos tudo juntos; somente aos domingos estávamos divididos”.

Sangue de escravos africanos, antepassados caribenhos e até de uma família da nobreza irlandesa corriam em suas veias, o que certamente ajudou na facilidade que tem em transitar por diversas culturas.

Ele participou da primeira assembleia geral do CMI, em 1948 em Amsterdam, como orador da delegação jovem. Dois anos depois disso, o seu engajamento em favor dos pobres o levou a ser pastor metodista no Haiti, onde atuou por quatro anos. Depois disso, trabalhou em diversas funções no CMI, antes de ser eleito secretário-geral em 1972.

Para este ícone do ecumenismo mundial, sua função no CMI sempre foi encarada também como um ministério político, com o lema “a bíblia numa mão e o jornal na outra”. A luta contra o racismo dentro e fora das igrejas foi uma das mais engajadas, tanto que suas sucessivas eleições à frente do CMI foram um claro sinal de que essa luta havia produzido frutos perenes, não só no combate ao racismo, mas na demonstração de que a Europa aprendia a valorizar lideranças vindas do hemisfério sul do planeta.

Depois de sua aposentadoria, ele e a esposa foram morar na Jamaica, onde lecionavam Teologia na Universidade de Kingston. Mas, desde que sua esposa Bärbel Wartenberg-Potter foi eleita bispa luterana em Lübeck, na Alemanha, em 2001, ele reside na Alemanha.

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