Zara confia na nossa memória fraca

Aí está um prova contundente de que a nossa sociedade – repleta de corruptos, malfeitores e espertos de toda ordem –, conta cem por cento com a inacreditável memória curta de todos. Rouba-se inescrupulosamente, descaradamente, na certeza de que tudo será esquecido em pouco tempo. O político safado reelege-se porque seus eleitores não se lembram dos processos que enfrenta. O empresário volta à carga porque sabe que, com a sua grana, cala a boca de qualquer sujeito que tenha memória boa.

E agora esta: Segundo reportagem do Santa de hoje, no Blog do Pancho, a rede de lojas Zara deve abrir uma unidade em Blumenau, a segunda em Santa Catarina. A notícia termina com uma inacreditável afirmação: “Pode até não ser o momento adequado para o anúncio, já que fornecedores da Zara foram bombardeados por denúncias de trabalho escravo, mas como temos memória curta, em três meses poucos vão lembrar”.

Para os já desmemoriados, as denúncias foram veiculadas pelo programa “A Liga”, há duas semanas. Quem não se lembra, pode refrescar a memória aqui. Na matéria, imigrantes ilegais bolivianos, mantidos como escravos, confeccionam calças jeans e outros modelitos para a rede espanhola Zara, ao preço ridículo de R$ 1,80 a peça, e colocam a etiqueta famosa da marca na vestimenta, que é vendida por centenas de reais dentro da loja, como se fosse importada da Espanha.

Agora, eles vêm instalar uma loja chiquérrima aqui em Blumenau, no novo shopping Park Europeu, que por sinal é próximo da minha casa. A loja terá 2,1 mil metros quadrados, para atender um terço dos clientes do grupo Zara que vai a Florianópolis daqui, para comprar lá. Êta elite burra! E ainda enche a boca para falar mal de pobres, operários, nordestinos...

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