Nossa redoma aduba o ateísmo



Com a chamada “diga não ao preconceito contra ateus”, a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos de Porto Alegre (RS) espalhou outdoors pela cidade com mensagens, como “Religião não define caráter” e “Somos todos ateus com os deuses dos outros”. A capital gaúcha é a primeira do país a receber o projeto, que deve ser implantado também em outras cidades. No exterior, ação semelhante foi aplicada em ônibus urbanos. No Brasil, a associação informou que empresas de transporte de Porto Alegre, Salvador, Florianópolis e São Paulo rejeitaram a proposta de publicidade, feita no final do ano passado. (Fonte Ultimato)

O ateísmo crescente na nossa sociedade não é fruto da secularização. Muitos ateus buscam coerência. E não é, certamente, dentro das igrejas que ela se hospeda. O ateísmo vem no embalo do mau exemplo que os “crentes” têm dado. Há uma indisfarçável dicotomia entre prática e discurso, tema e enredo. Nossa capacidade de apontar o dedo na direção dos outros é tão gigantesca, que já podemos esconder-nos atrás do próprio dedo.

Bem dizia um amigo meu esses dias: as igrejas vivem dentro de uma redoma e acham que o mundo se resume àquilo. Há muito mais lá fora e que muitos nem admitem existir. O resultado é que, descontextualizados, tornam-se obsoletos, descartáveis, sem condições de dizer algo. Por isso, quem não tem o que dizer ou, pior, só diz besteira, abre espaço para o descrédito.

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