A diversidade das árvores brasileiras


Para o Dia da Árvore, esta também é ótima. Uma coisa da qual eu sempre achei graça, nos poucos meses em que estive na Alemanha nos anos 1980, foi a facilidade das crianças alemãs em recitar os nomes das árvores que encontravam pelo caminho. Elas olhavam para a árvore e pimba, davam o seu nome. “Vai fazer isso no Brasil”, eu tripudiava. Na Alemanha isso era fácil, porque há somente poucas dezenas de espécies de árvores por lá.

Era uma das coisas que realmente me chamavam a atenção, porque uma visita a um bosque alemão é uma monotonia vegetal de desesperar, especialmente para quem conhece a biodiversidade da Mata Atlântica. Por isso, sempre achei que as nossas crianças e até os adultos brasileiros tinham toda razão na sua “memória curta”. Se você não acredita, então veja a notícia abaixo.

Uma coleção com quase 5 mil amostras de madeiras do Laboratório de Produtos Florestais do Serviço Florestal Brasileiro (LPF/SFB) está sendo usada para conhecer e registrar informações sobre as árvores do país. As amostras de madeiras, para serem usadas cientificamente, precisam estar registradas em uma coleção oficial conhecida como xiloteca. Tais coleções são usadas para auxiliar no levantamento da diversidade das espécies que existem no Brasil.

A coleção de madeiras do LPF é voltada principalmente para espécies encontradas na Amazônia. Em torno de 50% delas vieram desse bioma e foram coletadas em estados como Rondônia e Pará, e também na porção mais oriental da floresta amazônica. O restante das espécies vem dos outros biomas e de intercâmbios com xilotecas  de outros países.

A xiloteca do LPF tem dado suporte para pesquisas do próprio Laboratório, como estudos de descrição das características anatômicas das madeiras. Em 2010, informações de 157 espécies foram reunidas em um software que pode ser usado em ações de fiscalização contra o transporte ilegal de madeira. Este trabalho está disponível gratuitamente no site do Serviço Florestal Brasileiro.

A coleção do LPF, chamada de Xiloteca Dr. Harry van der Slooten, em homenagem ao fundador do Laboratório, conta ainda com mais de 4 mil lâminas de madeiras para as análises feitas por microscópio. O banco de madeiras do Laboratório começou a ser montado em 1977 e está cadastrado no Index Xylariorum, da Associação Internacional dos Anatomistas de Madeira (IAWA, em inglês), que faz o registro das xilotecas do mundo. O Brasil tem 16 coleções reconhecidas pela IAWA. A do LPF está entre as que têm maior diversidade de material.

Agora me diga: Quantos nomes de árvores brasileiras você é capaz de arrolar assim, de chofre? Mas talvez isso não seja o mais importante, num tempo em que milhares delas desaparecem todos os dias. Cada vez mais amostras dessas xilotecas fazem referência a espécies em risco de extinção. Isso tem que acabar, com urgência, antes que as xilotecas sejam realmente os últimos registros desses seres vivos.

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